Durante a sessão desta terça-feira, dia 15 de novembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) foi palco de manifestações de oposição relacionadas a um relatório da Polícia Federal (PF) que sugere uma aproximação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As manifestações ocorreram enquanto os ministros do tribunal discutiam o relatório, marcando um momento de forte embate no plenário, e tiveram a participação de figuras políticas de destaque, como o ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, e a candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Bia Kicis, do Partido Liberal (PL).
Os atos de protesto foram caracterizados por cartazes que reproduziam frases utilizadas por Zema durante sua campanha eleitoral, incluindo a expressão “Chega de intocáveis”, além de palavras de ordem como “Fora Lula” e “Fora Moraes”. Essas manifestações refletiram o clima de insatisfação de setores da oposição com o atual momento político e judicial, especialmente no contexto de crises e questionamentos envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Em entrevista concedida durante o protesto, Zema afirmou que todas as pessoas que tiveram alguma proximidade com Daniel Vorcaro devem ser investigadas, defendendo a necessidade de afastamento de indivíduos suspeitos para garantir a imparcialidade do processo. Segundo o ex-governador, quem tiver relação com o banqueiro também deve ser afastado das investigações, ressaltando que “ninguém pode ficar acima da lei”. Zema destacou ainda a importância de o Brasil aprender essa lição, citando episódios anteriores de impeachment de deputados, prefeitos e até presidentes, e sugerindo que, no futuro, um ministro do STF também possa ser alvo de impeachment, caso haja comprovação de ilícitos.
O partido Novo, legenda de Zema, foi responsável por uma ação que resultou na solicitação de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, decisão que foi acatada pelo ministro André Mendonça. A medida visa preservar a independência e a integridade das investigações em andamento sob a responsabilidade do delegado, uma iniciativa que reforça a postura de Zema e de sua legenda em relação à autonomia das instituições de investigação.
Por outro lado, Bia Kicis defendeu a saída imediata de Moraes do caso, comparando a situação às controvérsias envolvendo a Operação Lava Jato, especialmente às conversas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, que resultaram na anulação de processos. A deputada afirmou que, se há questionamentos sobre a imparcialidade de um magistrado por manter contato com integrantes da acusação, o mesmo raciocínio deve ser aplicado a contatos com investigados. Ela citou uma troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes, na qual o ex-banqueiro questiona se deve sair do Brasil, e criticou a atuação do ministro, alegando que Moraes tem agido de forma incorreta.
Kicis também fez duras críticas ao sistema judicial, alegando que o país vive uma “ditadura da toga” e comparando o cercamento da Praça dos Três Poderes, reforçado após os atos de 8 de janeiro de 2023, às ações de regimes autoritários, como o da Coreia do Norte. A parlamentar destacou que o espaço passou a contar com grades e reforço policial após as invasões às sedes dos Poderes em Brasília, e defendeu o fortalecimento do Congresso Nacional como forma de ampliar o sistema de freios e contrapesos e equilibrar as ações entre os Poderes.
Ela finalizou afirmando que o futuro do país está em jogo e que, caso Moraes não seja afastado, a esperança de um futuro melhor para as próximas gerações será comprometida. A manifestação de oposição ao ministro Alexandre de Moraes reflete uma crise institucional e uma polarização que têm marcado o cenário político e judicial brasileiro nos últimos anos.





