Uma nova fase de tensões internas marcou a disputa pelo Senado em Minas Gerais, envolvendo o candidato Marco Antônio Costa, conhecido como “Superman”, e seu partido, o Partido Novo. Em um vídeo divulgado nesta quarta-feira (23), o postulante ao cargo acusou o vice-presidente da legenda, Frederico Papatella, de ter feito ameaças e de tentar sabotar sua candidatura, em uma situação que revela divergências internas e possíveis conflitos de estratégia na campanha.
Segundo Marco Antônio Costa, a acusação veio de uma ligação telefônica na qual Papatella teria solicitado aos suplentes da sua chapa ao Senado que renunciassem, com o objetivo de inviabilizar sua candidatura. O candidato afirmou que essa conversa ocorreu há aproximadamente uma semana do dia da eleição, o que reforça a percepção de uma tentativa de prejudicar sua participação no pleito. “O vice-presidente do meu partido me ligou ameaçando derrubar a minha chapa. Pediu aos meus suplentes que renunciassem para inviabilizar a minha candidatura ao Senado”, declarou “Superman”.
A controvérsia também envolve a relação entre Marco Antônio e os demais dirigentes do Partido Novo. O candidato afirmou que foi lançado como candidato ao Senado “apenas como prêmio de consolação” após o partido perder a vice-governadoria na chapa de Mateus Simões, do PSD, ao Governo de Minas Gerais. Além disso, ele acusou os dirigentes do partido, incluindo o presidente Christopher Laguna, de sistematicamente “sabotarem” sua campanha na imprensa, o que, segundo ele, reflete uma estratégia de marginalização.
Internamente, o Partido Novo sustenta que Marco Antônio Costa teria se comprometido com apoiadores do partido, como os candidatos Mateus Simões e o governador Romeu Zema, ambos do Novo. Contudo, o candidato tem apoiado publicamente candidaturas de outros partidos, como o PL, de Flávio Bolsonaro, e o Republicanos, de Cleitinho Azevedo. Essa postura é vista pelo partido como uma traição aos acordos internos, que visavam garantir o apoio à sua candidatura ao Senado.
O vice-presidente Papatella negou as acusações de ameaça e afirmou que nunca conversou com “Superman” por telefone sobre o tema. Ele também desafiou o candidato a apresentar provas das declarações feitas nas redes sociais, garantindo que a equipe do partido possui registros das conversas. “Nunca tive qualquer contato telefônico com esse sujeito. O grupo tem todos os registros, e ele pode compartilhar se quiser. Não vou entrar nessa discussão em redes sociais”, declarou Papatella. Ele acrescentou que a postura de Marco Antônio reflete mais sobre ele do que sobre o partido.
Quanto à possibilidade de punições internas, o vice-presidente do Novo afirmou que ainda não há uma decisão tomada, mas que o assunto será avaliado pelo diretório nacional do partido. “Ainda não tivemos tempo de tratar sobre isso, mas certamente iremos analisar a situação junto ao órgão competente”, afirmou.
Ao ser procurado, Marco Antônio Costa não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem. A coordenação de sua campanha, por sua vez, limitou-se a não comentar o caso, permanecendo em silêncio sobre as acusações feitas pelo candidato. O espaço permanece aberto para novas manifestações.








