O Partido dos Trabalhadores (PT) aponta a existência de um padrão de ataques coordenados direcionados às candidatas femininas da sigla nas eleições de 2026. De acordo com a coordenação do partido, essas ações de violência política de gênero são promovidas e orientadas por grupos masculinistas ligados à extrema direita, que utilizam estratégias sistemáticas para intimidar e deslegitimar a presença das mulheres na política.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até a última terça-feira, 22 de setembro, foram registrados 177 processos de violência política de gênero neste ano, mais do que o dobro do total de 78 processos anotados durante todo o ano eleitoral de 2024, o que representa um aumento de 126,9%. Esses números refletem uma crescente preocupação com a escalada de ataques que envolvem ameaças de morte, violência sexual, racismo, exposição de dados pessoais, ataques a familiares e tentativas de desacreditar as candidatas, com o objetivo de afastá-las da vida pública.
As candidatas femininas representam atualmente 34,85% do total de 20.500 postulantes às eleições de 2026, que abrangem cargos como Presidência da República, governadores estaduais, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas. Destas, aproximadamente 7.100 são mulheres, conforme dados do TSE, que evidenciam a presença significativa de mulheres na disputa eleitoral, tornando ainda mais alarmantes os episódios de violência direcionados a elas.
Mazé Morais, secretária nacional de Mulheres do PT, destacou que os casos de violência não são isolados e apresentam semelhanças preocupantes. Ela relatou que o partido recebe quase diariamente novos relatos de agressões, com candidatas de diversos estados, incluindo Rio Grande do Norte, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco e Piauí, entre as mais atacadas. A dirigente afirmou que muitas dessas ameaças são enviadas pelo mesmo remetente, indicando uma ação coordenada.
A dirigente do PT atribui esses ataques a grupos de homens que se apresentam como defensores dos direitos masculinos, os quais são alimentados por redes sociais com discursos de misoginia, racismo e violência política. Segundo ela, o objetivo dessas ações é intimidar, ameaçar e expor a vida privada das candidatas, na tentativa de desmoralizá-las e fazê-las desistir de suas candidaturas. Mazé Morais reforçou que esse tipo de violência atenta contra a democracia e que a tentativa de impedir a participação feminina na política deve ser combatida de forma rigorosa.
Para enfrentar esse cenário, a Secretaria de Mulheres do PT oferece acompanhamento jurídico às candidatas do partido, além de atuar no campo digital e manter diálogo com órgãos responsáveis por investigar os casos e aplicar medidas protetivas. As mulheres ameaçadas também são incluídas em grupos de acompanhamento por meio de aplicativos de mensagens, como WhatsApp, para monitoramento e suporte contínuo.
Além do aumento expressivo no número de processos, o Ministério Público Federal (MPF) registrou 34 casos de violência de gênero relacionados às eleições de 2026 até o momento. Os processos estão distribuídos regionalmente, sendo 63 na Região Sudeste, 37 na Região Sul, 36 na Região Nordeste, 21 na Região Norte e 20 na Região Centro-Oeste.
Para auxiliar na proteção dos candidatos, o TSE lançou, em 22 de setembro, a ferramenta Likeness ID, desenvolvida pelo YouTube, que permite identificar conteúdos que utilizem indevidamente imagens de candidatas e candidatos, especialmente materiais manipulados ou produzidos com inteligência artificial. Essa tecnologia possibilita solicitar a remoção de vídeos por semelhança facial. Ainda na mesma ocasião, foi apresentada uma ferramenta que visa combater a clonagem de voz, desenvolvida em parceria com a empresa ElevenLabs, com o objetivo de prevenir o uso fraudulento de áudios sintéticos nas eleições.
Por fim, o TSE também lançou a campanha “Política é Substantivo Feminino”, uma iniciativa conjunta do Ministério Público Federal e da Justiça Eleitoral, que busca conscientizar a sociedade sobre as diferentes formas de violência política praticadas contra mulheres no contexto eleitoral.









