A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, acompanha com atenção as discussões em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e não descarta a possibilidade de utilizar argumentos apresentados por ministros da Corte para defender seus interesses. Em entrevista exclusiva à Itatiaia nesta quarta-feira, 30 de outubro, o advogado Sérgio Leonardo comentou sobre a sessão do plenário do STF realizada em 15 de setembro, na qual foi discutida a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, relacionada a Vorcaro.
Durante a conversa, o advogado foi questionado sobre a análise de juristas que sugerem que os argumentos utilizados pelos ministros na sessão poderiam servir de base para questionamentos ou ações por parte de outros investigados na mesma linha. Leonardo afirmou que a defesa está atenta às possíveis nulidades processuais que possam surgir dessas decisões e que a extensão de eventuais nulidades está sob análise. Para ilustrar sua argumentação jurídica, ele recorreu a um ditado popular, afirmando que “pau que dá em Chico, dá em Francisco”, ou seja, que uma nulidade reconhecida em um julgamento deve ser aplicada de forma isonômica a casos semelhantes.
Segundo o advogado, caso seja identificada alguma nulidade que beneficie Vorcaro, a defesa irá atuar de forma a garantir que essa nulidade seja reconhecida de maneira adequada perante o Supremo Tribunal Federal. “Se naquele julgamento for reconhecida alguma nulidade, ela não pode ser uma nulidade que aproveite apenas o interessado naquele julgamento. Ela também aproveita outros investigados na medida em que a eles estiver diretamente vinculada”, afirmou Leonardo. Ele destacou ainda que a equipe jurídica de Vorcaro está monitorando cuidadosamente o andamento do julgamento e que, se houver alguma decisão que possa favorecer seu cliente, o pedido será feito na oportunidade correta, perante o juízo competente do STF.
Na sessão de 15 de setembro, os ministros do STF debateram se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado por sua relação com Vorcaro. As evidências discutidas incluíam mensagens enviadas pelo banqueiro ao ministro, além de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do magistrado. A reunião terminou sem uma decisão definitiva, pois os ministros solicitaram vista do processo, deixando a análise do tema pendente. A sessão foi marcada por debates acalorados sobre a validade das provas apresentadas e a condução do procedimento pelo STF.
Daniel Vorcaro, considerado responsável pela maior fraude financeira da história do Brasil, encontra-se preso desde março deste ano. Nesta quarta-feira, ele prestou seu terceiro depoimento à Polícia Federal, no qual foi questionado, entre outros pontos, sobre “A Turma”, nome dado ao grupo investigado por monitorar e ameaçar adversários. Durante o depoimento, Vorcaro respondeu a questionamentos relativos às ações do núcleo de monitoramento, reforçando a complexidade do caso e a atenção que a defesa dedica às possíveis nulidades processuais e às estratégias jurídicas em curso.






