Apesar de mais de três anos terem se passado desde a declaração de fim da emergência global pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em relação à pandemia de Covid-19, o vírus continua causando vítimas em Minas Gerais. Este ano, pelo menos 70 óbitos relacionados à doença foram registrados no estado, com uma média diária de aproximadamente 40 casos confirmados. Esses dados foram divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que também aponta que, até julho de 2026, foram confirmados 8.781 casos de síndrome gripal associada à Covid no território mineiro.
A situação é mais preocupante entre os grupos mais vulneráveis, especialmente os idosos. Em Belo Horizonte, a capital do estado, sete mortes relacionadas à Covid-19 foram registradas até agosto deste ano, das quais seis ocorreram em pessoas com mais de 60 anos. Ainda não há informações disponíveis sobre o estado vacinal dos óbitos.
Embora os números indiquem uma circulação contínua do vírus, a SES-MG afirma que não há sinais de um aumento sustentado ou generalizado na incidência da doença. A secretaria mantém o monitoramento constante de casos, internações, óbitos e da circulação viral, buscando entender melhor o comportamento do vírus na população.
Especialistas destacam que, embora o impacto da pandemia tenha diminuído, a Covid-19 ainda deve fazer parte do cenário epidemiológico de Minas Gerais. Para o infectologista Estêvão Urbano, que integrou o Comitê de Enfrentamento à Pandemia na capital, a tendência é de que o vírus permaneça presente de forma endêmica, com períodos de maior e menor circulação. Ele reforça a importância de evitar uma nova explosão de casos, especialmente aqueles que possam levar a internações.
A imunização contra a Covid-19 continua sendo uma estratégia fundamental. O calendário de vacinação do Ministério da Saúde atualmente contempla doses de reforço para crianças de seis meses a menores de cinco anos, gestantes, idosos a partir de 60 anos e grupos específicos, como pessoas com comorbidades. Entre 2025 e 2026, Minas Gerais aplicou aproximadamente 1,37 milhão de doses, enquanto em Belo Horizonte, cerca de 151 mil doses foram administradas até agosto.
O infectologista Unaí Tupinambás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reforça que a vacinação mantém sua relevância principalmente para os grupos de maior risco. Ele orienta que quem faz parte do público geral e nunca recebeu a vacina deve completar o esquema vacinal, mas que a atualização periódica da imunização não é obrigatória para todos. Segundo Tupinambás, idosos, pessoas com doenças crônicas, imunossuprimidos, gestantes e crianças devem manter atenção redobrada na vacinação.
Os sintomas da Covid-19 podem se assemelhar aos de outras infecções respiratórias, incluindo febre, dores no corpo, tosse e dor de garganta. Em casos mais graves, podem ocorrer falta de ar, dores de cabeça e fadiga. A orientação da SES-MG é evitar aglomerações durante o período de transmissão, utilizar máscara em ambientes com muitas pessoas e realizar testes diante do aparecimento de sintomas respiratórios. Além disso, recomenda-se o afastamento social até a recuperação completa.
A continuidade do monitoramento e a vacinação permanecem como estratégias essenciais para minimizar o impacto da Covid-19 em Minas Gerais, mesmo após o declínio do temor inicial causado pela pandemia.









