A busca por exoplanetas, ou planetas fora do nosso Sistema Solar, continua a ser uma das principais áreas de investigação da comunidade científica, especialmente devido ao seu potencial de revelar a existência de vida extraterrestre. A descoberta de mundos orbitando estrelas distantes é fundamental para compreender a formação de planetas e, mais importante, para identificar condições favoráveis à vida. Para que um exoplaneta seja considerado um candidato promissor à habitabilidade, ele precisa atender a critérios específicos que elevem sua possibilidade de sustentar vida, sendo o mais relevante a sua posição em relação à estrela hospedeira.
De acordo com o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o conceito de zona habitável refere-se à região ao redor de uma estrela onde as condições de temperatura permitem a existência de água líquida na superfície do planeta. Essa faixa não deve ser nem muito próxima nem muito distante da estrela. Caso esteja muito próxima, a água na superfície do planeta evaporaria, encontrando-se no estado gasoso; se estiver muito afastada, os oceanos poderiam congelar, tornando o planeta um corpo frio e inóspito para a vida.
Contudo, Gonçalves destaca que, mesmo que um exoplaneta esteja na zona considerada favorável, ainda há incertezas quanto à sua composição e condições reais. Um fator crucial é a presença de água na superfície, algo que ainda não pode ser confirmado apenas pela sua localização na zona habitável. “Quando falamos da zona habitável, não sabemos nem se o planeta realmente tem água. Ele está apenas em uma região onde, potencialmente, poderia haver. Agora, saber se existe água de fato já é outra questão”, explica o pesquisador, que também conta com apoio do Instituto Serrapilheira.
A simples determinação da distância de um exoplaneta em relação à sua estrela é apenas o primeiro passo na avaliação de sua capacidade de abrigar vida. Outros critérios incluem a composição rochosa do planeta, a manutenção de uma atmosfera estável e níveis de radiação compatíveis com a sobrevivência de organismos vivos. Segundo o professor Álvaro Penteado Crósta, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Academia Brasileira de Ciências, um planeta potencialmente habitável deve possuir uma composição rochosa, estar na zona de habitabilidade de sua estrela, ter água líquida em sua superfície, manter uma atmosfera estável e receber níveis de radiação que permitam a persistência da vida.
A busca por exoplanetas habitáveis é realizada principalmente por meio de telescópios espaciais e terrestres. Entre eles, o telescópio espacial James Webb, da NASA, tem se destacado na identificação de candidatos com maior potencial de habitabilidade. A técnica utilizada para estudar esses mundos envolve a análise da luz que atravessa a atmosfera do planeta quando ele passa na frente de sua estrela. Essa abordagem permite detectar gases atmosféricos ao observar as alterações na luz estelar, que é parcialmente absorvida pelos componentes atmosféricos do exoplaneta.
Segundo Gonçalves, esse método consiste em comparar a luz da estrela antes e depois do trânsito do planeta, possibilitando identificar a presença de gases na atmosfera por meio da interação da luz com átomos e moléculas. Até o momento, mais de 6 mil exoplanetas foram descobertos, e recentemente, o pesquisador brasileiro Fábio Calabrio Evangelista da Silva, do Observatório Nacional (ON), avaliou todos esses mundos. A partir dessa análise, ele selecionou oito candidatos que apresentam condições semelhantes às da Terra, elevando o interesse na busca por mundos potencialmente habitáveis.
Em suma, a combinação de fatores como a posição em relação à estrela, composição rochosa, presença de água e atmosfera adequada é essencial para determinar a possibilidade de um exoplaneta abrigar vida. A tecnologia avançada de telescópios e métodos de análise atmosférica continuam a ampliar o entendimento sobre esses mundos distantes, contribuindo para uma busca cada vez mais precisa por planetas que possam, de fato, suportar formas de vida.








