Pesquisadores anunciaram a descoberta de um complexo na antiga cidade macedônia de Mieza, localizada no norte da Grécia, que pode ter sido a escola onde Aristóteles ensinou o jovem Alexandre, o Grande, e outros membros da elite local há mais de 2.300 anos. As escavações, iniciadas em 2024, revelaram estruturas que incluem salas de aula com carteiras de pedra, uma área destinada ao treinamento físico, um estádio, um pórtico coberto de aproximadamente 200 metros de comprimento e dois grandes salões de banquetes. Além dessas construções, foram encontrados diversos artefatos, como moedas, cerâmicas, elementos arquitetônicos e quatro estiletes utilizados para escrever, indicando a importância do local na formação dos jovens nobres macedônios.
Essas evidências reforçam a hipótese de que o sítio corresponde ao chamado Ginásio Real de Mieza, construído por volta do século IV a.C., durante o reinado de Filipe II, pai de Alexandre. A confirmação parcial dessa identificação foi divulgada pelo Ministério da Cultura da Grécia em 3 de setembro, por meio de um comunicado oficial, destacando a relevância histórica do achado.
Complexo de ensino e treinamento na antiga Macedônia
O Ginásio Real de Mieza ocupava uma área aproximada de 30 acres e integrava espaços destinados tanto à formação intelectual quanto à preparação física dos jovens da elite macedônia. Entre esses espaços, destacam-se a palestra, utilizada para exercícios e treinamentos, e o Didaskaleio, área específica para aulas. Foi nesse setor que os arqueólogos localizaram as salas com carteiras de pedra, que possivelmente serviam de ambiente de ensino para os estudantes.
Além das áreas de estudo, o complexo contava com um conjunto de mais de 160 metros quadrados, composto por um salão e dois andronas — espaços utilizados para banquetes. Esses ambientes preservam pisos de mosaico e bases elevadas onde ficavam os divãs, que acomodavam cerca de dez pessoas cada, permitindo uma capacidade de pelo menos 20 indivíduos por salão. Essas estruturas indicam a importância de eventos sociais e de convivência no cotidiano do complexo.
Na biografia de Alexandre, escrita por Plutarco, há menção de que Filipe II mandou construir uma escola em Mieza com o objetivo de educar o próprio filho e outros jovens nobres macedônios. No mundo grego antigo, os ginásios não eram apenas locais de aprendizado acadêmico; eles também eram centros de formação física, essenciais para o preparo dos jovens das elites para funções militares e políticas.
Conservação das estruturas apesar de destruições históricas
O complexo sofreu danos e foi parcialmente destruído após a Segunda Batalha de Pidna, em 168 a.C., quando a Macedônia foi derrotada pelos romanos. Apesar dessas destruições, partes significativas das estruturas originais permaneceram preservadas sob camadas de destruição e incêndios. Os arqueólogos identificaram paredes com argamassa de alta qualidade, pisos antigos e diversos elementos arquitetônicos, incluindo fragmentos de frisos, colunas de estilo jônico e capitéis.
Uma estrutura dórica, considerada rara e de grande valor para a compreensão da arquitetura original do complexo, também foi descoberta em bom estado de conservação. A semelhança entre esses elementos e os encontrados no palácio de Aigai, local de residência de Filipe II e de Alexandre, reforça a hipótese de que o sítio tinha uma função de destaque na época.
Perspectivas futuras e importância do achado
Embora as evidências atuais sejam compatíveis com a hipótese de que o sítio foi uma escola frequentada por Alexandre, os pesquisadores destacam que a confirmação definitiva depende do avanço dos estudos arqueológicos. Até o momento, não há evidências de que os objetos encontrados tenham pertencido especificamente a Alexandre, mas as descobertas contribuem para uma compreensão mais aprofundada da história e da arquitetura do período.
O Ministério da Cultura da Grécia informou que as escavações continuarão, especialmente na parte leste do complexo, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a arquitetura do Ginásio Real de Mieza e sobre o sistema de educação oferecido aos jovens da elite macedônica. A ministra da Cultura, Lina Mendoni, ressaltou a importância desses monumentos como elementos vivos da identidade nacional, durante uma visita à região de Imathia, que também incluiu a reabertura de dois monumentos otomanos restaurados em Veria.









