Uma baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) foi registrada, na costa de Queensland, na Austrália, em 17 de julho de 2025, exibindo um comportamento considerado inédito entre esses mamíferos marinhos. Após o nascimento de um filhote morto, a fêmea foi observada interagindo de forma repetida com o corpo do animal, tocando-o com a nadadeira peitoral e permanecendo ao seu lado por várias horas, comportamento que pesquisadores interpretam como uma possível manifestação de “luto”. Essa observação, feita por Andrew Mulville, da Sea World Foundation, é considerada o primeiro registro conhecido de uma baleia jubarte demonstrando sinais semelhantes ao luto em resposta à perda de um filhote.
A cena foi capturada por Mulville a aproximadamente um quilômetro da Gold Coast, na Austrália, enquanto ele navegava na região. Segundo relato publicado na revista científica Discover Animals nesta quarta-feira (16), o pesquisador notou duas baleias adultas circulando na área, mergulhando, vocalizando e rolando na superfície, comportamentos típicos de interação social. Por volta das 8h30, Mulville percebeu a presença de uma membrana amniótica na água, indicando que um nascimento tinha ocorrido recentemente. No entanto, não havia sangue, placenta ou outros sinais visíveis de parto. Ao posicionar uma câmera subaquática, ele constatou que o filhote, com menos de quatro metros de comprimento e já morto, jazia no fundo arenoso do oceano.
Após a descoberta, a mãe do filhote passou a se aproximar diversas vezes do corpo, tocando-o com a cabeça e permanecendo ao seu lado por duas horas seguidas. Durante esse período, uma outra baleia adulta também permaneceu na região, comportamento que os pesquisadores interpretam como possível acompanhamento ou apoio à mãe enlutada. Diferentemente de um nascimento normal, em que a fêmea jubarte empurraria o filhote para a superfície para facilitar a respiração, a mãe neste episódio não realizou tal ação, sugerindo que ela teria percebido a morte do filhote. As duas baleias continuaram na área nos dias seguintes, conforme relatos de testemunhas terrestres.
Especialistas alertam para a necessidade de cautela ao interpretar esse comportamento. Olaf Meynecke, da Universidade Griffith, destacou que, embora não seja possível afirmar que a baleia estivesse vivenciando um processo de luto, há evidências de uma mudança comportamental significativa, semelhante às respostas de outros grandes mamíferos, como elefantes, que demonstram comportamentos de apego ou tristeza após a perda de membros do grupo ou de filhotes. “É importante não humanizar esses encontros, mas reconhecer que esses mamíferos podem apresentar respostas emocionais complexas”, afirmou Meynecke à revista New Scientist.
O episódio também levanta preocupações adicionais relacionadas às condições reprodutivas na região. Em julho de 2025, sete filhotes de jubarte e um de outra espécie de baleia foram encontrados mortos na mesma área, embora esses casos não tenham relação direta com o filhote observado na ocasião do nascimento. Uma particularidade observada foi a ausência da expulsão da placenta, o que é incomum e pode ter representado risco à saúde da mãe. A causa da morte do filhote, entretanto, permanece desconhecida, e os pesquisadores não associam diretamente esse evento aos demais óbitos registrados na região.
Além disso, o episódio ocorre em um momento de mudança no comportamento reprodutivo das jubartes no sul de Queensland. Com o aumento da população dessas baleias, tem se tornado mais comum a observação de nascimentos a centenas de quilômetros ao sul das áreas tradicionais de reprodução, como na região da Grande Barreira de Corais. Ainda sem uma explicação definitiva para essa redistribuição, os pesquisadores continuam monitorando as baleias envolvidas, incluindo a que foi fotografada e que possui uma nadadeira caudal que está sendo inserida em um banco de dados com cerca de 16 mil registros de jubartes, na esperança de que ela possa ser reconhecida em futuras temporadas.







