Na noite desta terça-feira (13/10) e nas primeiras horas de quarta-feira (14/10), será possível acompanhar, do Brasil, a manifestação da chuva de meteoros Táuridas, um fenômeno astronômico que ocorre na porção final do ano e oferece uma visão diferenciada em relação às chuvas de meteoros mais comuns. Diferentemente de outras chuvas de meteoros que costumam ocorrer em períodos específicos do ano, as Táuridas têm seu pico de atividade nesta época, com detritos do cometa 2P/Encke entrando na atmosfera terrestre de forma gradual, o que resulta em bolas de fogo de movimentos lentos e com destaque visual por sua intensidade e brilho.
As Táuridas, popularmente chamadas de “bolas de fogo do Halloween”, devido ao seu pico próximo ao final de outubro, apresentam uma característica peculiar: parecem emanar da constelação de Touro, de onde parecem surgir os meteoros ao cruzarem o céu. O fenômeno ocorre entre setembro e dezembro, abrangendo tanto o hemisfério sul quanto o norte, e a sua atividade é mais intensa em determinados períodos. Para o Brasil, o pico inicial desta temporada de 2023 acontece na madrugada de terça para quarta-feira, com observações possíveis nas horas que antecedem e sucedem a meia-noite.
Segundo a Sociedade Americana de Meteoros, o evento resulta de duas chuvas de meteoros que se sobrepõem, sendo a do hemisfério sul ativa de 20 de setembro a 20 de novembro. O pico desta temporada, especificamente, ocorre na madrugada de 4 para 5 de novembro, momento em que a Lua estará em fase minguante, apresentando apenas 17% de iluminação, o que favorece a observação ao reduzir a interferência luminosa.
Os meteoros das Táuridas têm origem em um complexo de detritos associados ao cometa 2P/Encke, conhecido por sua órbita de aproximadamente 3,25 anos, a menor entre os cometas conhecidos. Acredita-se que esses detritos tenham sido gerados por fragmentações de um corpo maior ocorridas há milhares de anos, formando uma nuvem de partículas que, ao cruzar a trajetória da Terra, produz o fenômeno visível no céu.
A frequência de meteoros durante a chuva de Táuridas é relativamente baixa, com uma média de cerca de cinco meteoros por hora, podendo chegar a 10 em períodos de sobreposição de chuvas. A baixa velocidade de entrada desses meteoros na atmosfera terrestre, aliada à sua origem em partículas relativamente grandes, facilita sua visualização a olho nu, sem a necessidade de equipamentos como binóculos ou telescópios.
A denominação “bolas de fogo do Halloween” remete ao fato de o fenômeno coincidir com a data comemorativa, especialmente no hemisfério norte, onde o pico ocorre na virada de outubro para novembro. Apesar de registros de anos anteriores indicarem períodos de maior intensidade, como 2008, 2015 e 2022, a previsão indica que, em 2026, o fenômeno não apresentará uma intensidade excepcional, sendo esperado um evento mais moderado, semelhante ao padrão de anos comuns, com previsão de maior intensidade apenas para 2032.
Para observação, recomenda-se procurar locais afastados de luzes artificiais, com céu limpo e escuro, além de reservar cerca de 20 minutos para que os olhos se adaptem à escuridão. O fenômeno pode surgir ao entardecer, mantendo-se visível até aproximadamente a meia-noite, sem a necessidade de uso de instrumentos ópticos, sendo suficiente a observação a olho nu.








