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Cientistas conseguem reviver rins de porcos congelados por mais de um ano, avanço que pode impactar transplantes humanos

19/10/2026
Em Ciência
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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Pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, alcançaram um feito inédito ao reviver rins de porcos que haviam sido congelados por mais de um ano a temperaturas de -150 °C. Após o processo de aquecimento, os órgãos recuperaram sua coloração natural e passaram a produzir urina, demonstrando que ainda preservavam suas funções e fluxo sanguíneo. A descoberta, publicada em 14 de outubro como pré-print no site bioRxiv, ainda aguarda validação por parte de cientistas independentes. Caso confirmada, essa inovação pode abrir caminho para armazenamento de órgãos humanos por períodos prolongados, facilitando futuras operações de transplante.

A relevância do avanço é significativa, uma vez que órgãos vitais como o coração e os pulmões possuem um prazo de validade de até seis horas para serem transplantados em pacientes, enquanto os rins permanecem viáveis por até 36 horas. A possibilidade de conservar esses órgãos por mais tempo, por meio de técnicas de criopreservação, representa uma mudança potencial na medicina de transplantes, reduzindo perdas e ampliando o acesso a doações compatíveis.

Embora os rins de porcos reaquecidos ainda não estejam aptos para uso a longo prazo, especialistas consideram o feito como uma conquista histórica. Erik Finger, cirurgião de transplantes da Universidade de Minnesota e um dos líderes do estudo, afirmou à MIT Technology Review que, há uma década, não tinha esperanças de que tais resultados fossem possíveis. Após o último transplante realizado na pesquisa, ele destacou a importância do avanço, afirmando que a equipe percebeu o impacto do seu trabalho.

A pesquisa começou com transplantes bem-sucedidos de rins de ratos, publicados em 2023, e evoluiu para testes em porcos, com um período de congelamento de até 10 dias. Para preservar os órgãos durante o armazenamento, os cientistas utilizaram um método chamado vitrificação, comum na medicina reprodutiva para armazenamento de óvulos, espermatozoides e embriões. A técnica envolve o uso de crioprotetores, substâncias que impedem a formação de cristais de gelo prejudiciais às células. No entanto, esses compostos geralmente são altamente tóxicos, o que levou a equipe a desenvolver uma solução inovadora: infundir os rins com nanopartículas de óxido de ferro carregadas com crioprotetores. Essas nanopartículas podem ser ativadas por um campo eletromagnético, gerando calor controlado durante o aquecimento do órgão, o que permite um reaquecimento gradual e seguro.

Segundo John Bischof, bioengenheiro envolvido na pesquisa, o crioprotetor utilizado anteriormente em rins de ratos não apresentou o mesmo desempenho em órgãos de porcos, exigindo uma reformulação da fórmula ao longo de três anos de estudos. Quando o rim atinge aproximadamente -120 °C, ele entra em um estado vitrificado, comportando-se como um vidro, o que garante estabilidade indefinida. O órgão então passa por uma pausa no resfriamento para evitar rachaduras, sendo resfriado posteriormente até atingir -150 °C.

Nos experimentos, os rins reaquecidos foram transplantados em porcos, sendo monitorados por duas horas. Os órgãos apresentaram coloração rosada imediatamente após o procedimento e começaram a produzir urina em cerca de um minuto, com um dos rins chegando a gerar aproximadamente dois terços da quantidade de urina normalmente esperada. Um dos órgãos chegou a iniciar a produção de xixi imediatamente, indicando uma recuperação funcional inicial. Especialistas externos, como Peter Kilbride, criobiólogo e cofundador da Kyros Kairos, destacaram a importância do avanço, afirmando que, após anos de tentativas frustradas, o estudo representa uma etapa decisiva.

Contudo, os autores da pesquisa ressaltam que ainda há obstáculos a serem superados antes de aplicar a técnica em órgãos humanos, incluindo desafios relacionados ao resfriamento, estabilidade do agente crioprotetor, transporte e toxicidade biológica. O progresso atual sinaliza um passo importante na criopreservação de órgãos, com potencial para transformar o cenário dos transplantes futuros, embora a aplicação clínica ainda exija mais estudos e validações.

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