Durante a construção de uma nova ferrovia em Tula, no México, arqueólogos descobriram um momoztli, um altar indígena utilizado para deixar oferendas em rituais. Essa cidade, que foi a capital do Império Tolteca entre os séculos 10 e 12, é um importante marco histórico, precedendo a ascensão do Império Asteca.
Além do altar, os pesquisadores encontraram lâminas de obsidiana e vasos de cerâmica, além de quatro crânios, um dos quais ainda estava conectado a vértebras do pescoço. A análise preliminar dos achados sugere que o local pode ter sido utilizado para rituais de sacrifícios humanos. A descoberta foi anunciada pelo governo mexicano em março e destaca a relevância do patrimônio arqueológico do país.
Claudia Curiel de Icaza, secretária de Cultura do Governo do México, enfatizou em um comunicado que cada nova descoberta contribui para o entendimento das grandes civilizações da Mesoamérica. Ela ressaltou que o patrimônio arqueológico é parte da memória dos povos mexicanos e que o Estado tem a responsabilidade de protegê-lo e transmiti-lo às futuras gerações.
Os crânios encontrados no local apresentam características que levantam a suspeita de que possam ter sido removidos de forma intencional, uma vez que as áreas de sustentação ainda estavam intactas, o que contrasta com a possibilidade de desintegração natural após a decomposição dos tecidos moles. Essa informação reforça a teoria de que o altar poderia ter sido um local de sacrifícios humanos, prática que era comum entre várias civilizações mesoamericanas.
Adicionalmente, a estrutura do local revela que o altar estava situado no centro de um pátio, possivelmente pertencente a uma residência da elite da época. O arqueólogo Víctor Francisco Heredia Guillén, do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), observou que a região em torno de Tula abrigava bairros das classes alta e média, enquanto as áreas mais distantes eram habitadas por populações comuns. Essa divisão social é um aspecto importante para entender a dinâmica da sociedade tolteca.
Embora as evidências atuais sugiram a prática de sacrifícios, os arqueólogos continuarão a investigar os restos ósseos em busca de mais informações que possam confirmar essa hipótese. Todos os itens encontrados foram devidamente documentados e serão levados a laboratórios para análises mais detalhadas. A pesquisa em andamento não só busca elucidar o uso do altar, mas também contribuir para o conhecimento sobre as práticas culturais e religiosas dos povos que habitaram a região durante períodos antigos.
A descoberta do altar pré-asteca em Tula não apenas enriquece o entendimento sobre a civilização tolteca, mas também reafirma a importância da preservação e estudo do patrimônio arqueológico do México, que é fundamental para a compreensão das raízes culturais do país.









