Pesquisadores da Universidade Kharazmi, localizada no Irã, realizaram uma análise abrangente que aponta associações entre o uso problemático de pornografia e fatores psicológicos como depressão, solidão, vergonha sexual e desregulação emocional. Os resultados, publicados na revista científica Addictive Behaviors Reports em 26 de agosto, indicam que o consumo excessivo de conteúdos adultos pode estar ligado a dificuldades emocionais e comportamentais, embora os autores ressaltem que esses vínculos representam tendências e não uma relação causal definitiva.
A pesquisa consistiu em uma revisão sistemática de estudos existentes, incluindo trabalhos publicados entre 2012 e 2025, em inglês e persa, que abordaram o uso compulsivo de pornografia online. Para isso, os cientistas consultaram bases de dados renomadas, como PubMed/MEDLINE, Scopus e Web of Science, além de fontes específicas do Irã, como SID, Magiran e Noormags, e também registros de literatura de acesso aberto. A busca utilizou palavras-chave relacionadas ao vício em pornografia, uso compulsivo, ciberpornografia e características psicológicas associadas, como impulsividade, ansiedade, desejo intenso e conflitos morais.
Ao todo, a pesquisa identificou mais de 38 mil registros, dos quais 925 foram selecionados para análise detalhada. Depois de uma triagem criteriosa, 97 estudos atenderam aos critérios de inclusão, abrangendo 111 amostras independentes com um total de aproximadamente 121.700 participantes. A média de idade dos indivíduos estudados foi de 27,5 anos, sendo que cerca de 46% eram do sexo feminino.
Os pesquisadores também analisaram como o uso problemático de pornografia foi avaliado nos diferentes estudos. Algumas ferramentas focaram na perda de controle, como tentativas frustradas de reduzir o consumo ou comportamentos compulsivos mesmo diante de consequências negativas, classificadas como medidas de desregulação. Outras abordaram o sofrimento emocional, incluindo sentimentos de culpa, vergonha e conflitos morais, considerados medidas de sofrimento. Essa distinção foi considerada relevante, pois conflitos morais podem potencializar sentimentos de culpa e angústia associados ao consumo.
Os resultados indicam que o desejo intenso de assistir pornografia e a vergonha sexual apresentaram as maiores correlações com o uso problemático, ambas com uma média de 0,54. Esses valores, que variam de -1 a 1, sugerem uma relação moderada a forte, embora os autores ressaltem que essas associações foram baseadas em poucos estudos — quatro ou cinco para cada variável. Além disso, o estudo revelou ainda associações moderadas com depressão (0,32), desregulação emocional (0,29), desaprovação moral da pornografia (0,27) e solidão (0,23).
Por outro lado, fatores como extroversão e aspectos relacionados ao ambiente familiar apresentaram correlações próximas de zero, indicando pouca ou nenhuma ligação com o comportamento problemático. Os autores destacam que, apesar das evidências, os resultados representam tendências e não uma regra universal, sendo necessário aprofundar as pesquisas para confirmar essas associações em diferentes populações.
Em síntese, o estudo reforça a ideia de que o uso excessivo de pornografia está ligado a uma complexa interação de fatores psicológicos, envolvendo aspectos emocionais, autorregulação e relações interpessoais. Ainda assim, os pesquisadores enfatizam a importância de futuras investigações para compreender melhor esses vínculos, dado o caráter preliminar das conclusões atuais.








