Pesquisas recentes indicam que dedicar apenas dez minutos por dia à prática de atividades físicas pode contribuir significativamente para a redução do risco de desenvolver demência. O estudo reforça a compreensão de que ações benéficas ao coração também trazem benefícios ao cérebro, incluindo hábitos como alimentação saudável, controle da pressão arterial e do colesterol, além da prática regular de exercícios físicos.
De acordo com o pesquisador Natan Feter, os maiores benefícios observados ocorrem justamente quando indivíduos que não praticavam nenhuma atividade física passam a incorporar algum nível de movimento à rotina diária. Ele destaca que a cada minuto adicional dedicado à atividade física, há uma diminuição proporcional no risco de desenvolver demência, reforçando a importância de pequenas mudanças de comportamento na saúde cerebral.
A proposta de estabelecer uma meta de apenas dez minutos de exercícios diários surgiu da percepção de que metas mais ambiciosas, como atingir os 150 minutos de atividade física recomendados pelas diretrizes internacionais por semana, podem ser difíceis de serem alcançadas por grande parte da população. Essas recomendações, embora ideais, muitas vezes se mostram desafiadoras devido a fatores como rotina de trabalho, deslocamentos prolongados e falta de infraestrutura adequada para a prática de exercícios.
Para facilitar a adesão, recomenda-se que esses dez minutos possam ser utilizados de diversas formas, como uma caminhada no bairro, exercícios de fortalecimento muscular em casa, atividades na academia ou até mesmo permanecer de pé por esse período. Segundo a epidemiologista Thaís Ioshimoto, essa meta é considerada mais realista para a maioria das pessoas, especialmente para idosos que estão iniciando a prática de exercícios físicos. Ela ressalta que, além de melhorar a aptidão física, qualquer atividade física traz benefícios adicionais, como melhora do humor, aumento da socialização e estímulo a mudanças positivas na alimentação.
Contudo, os pesquisadores também destacam que a prática de exercícios físicos não depende apenas da vontade individual, mas também de fatores sociais e ambientais. Muitos indivíduos enfrentam dificuldades devido ao trabalho integral, longos deslocamentos e a ausência de ambientes seguros ou infraestrutura adequada para a prática de atividades físicas. Nesse contexto, a pesquisa reforça a necessidade de que a atividade física seja encarada como um direito humano, defendendo políticas públicas que ampliem o acesso a espaços e condições favoráveis para a prática de exercícios.
Por fim, o estudo evidencia que, embora as escolhas individuais sejam fundamentais, é imprescindível que haja um esforço coletivo para criar condições que incentivem a prática de atividades físicas de forma acessível e segura para toda a população. Assim, pequenas mudanças diárias podem contribuir de forma significativa para a prevenção de doenças neurodegenerativas, como a demência, promovendo uma melhor qualidade de vida em todas as idades.








