Um exemplar do livro “As Antiguidades de Atenas”, que estava “emprestado” desde a década de 1870, foi devolvido recentemente à Biblioteca de Kiama, localizada na Austrália. O volume permaneceu afastado das prateleiras por cerca de 150 anos, oculto dentro de uma antiga caixa de chá. A história do retorno do livro ganhou destaque após a descoberta por um morador local, que o encontrou durante uma reforma em sua residência.
A origem do exemplar remonta à fundação da Biblioteca de Kiama, em 1872, quando seu acervo contava com menos de mil títulos. Registros históricos indicam que “As Antiguidades de Atenas” era o livro de número 506 na coleção. No entanto, devido à perda de registros detalhados ao longo do tempo, não é possível determinar precisamente quando ou por quem o livro foi retirado da biblioteca. Estima-se que o empréstimo tenha ocorrido na década de 1870, possivelmente por um usuário ou membro da comunidade que, posteriormente, o manteve na posse por gerações.
A história de sua devolução envolve Ross Simmons, de 77 anos, que encontrou o livro ao reformar sua casa há cerca de três décadas. Dentro de uma caixa de chá lacrada, ele descobriu o volume, que apresentava sinais de danos causados pela água, mas ainda se encontrava em condições surpreendentemente boas, considerando o tempo que permaneceu guardado. Ao folhear o exemplar, Simmons percebeu um carimbo com o nome “Biblioteca Pública de Kiama”, o que o levou a suspeitar que o livro poderia ter sido emprestado há muito tempo.
Ao devolver o volume à biblioteca, localizada a aproximadamente duas horas de Sydney, a gerente Michelle Hudson identificou imediatamente sua importância histórica. Como o acervo da Biblioteca de Kiama, fundada em 1872, era composto por menos de mil títulos na época, o livro representava uma peça rara e valiosa. Apesar de não haver registros precisos do momento do empréstimo, a equipe estima que o livro tenha sido emprestado na década de 1870, possivelmente por um parente de Simmons, John Simmons, que imigrou para a Austrália em 1857 e se tornou arquiteto. Simmons acredita que o livro, que tinha interesse em arquitetura, construção e edificação, possa ter sido utilizado como referência pelo seu bisavô, permanecendo na casa da família por décadas.
Se o livro tivesse sido devolvido conforme as regras vigentes na época, uma multa considerável seria aplicada. Os estatutos antigos da biblioteca, impressos dentro do próprio livro, determinavam que o empréstimo deveria ser devolvido em até um mês, com uma multa de três pence por semana de atraso. Considerando o período de aproximadamente 150 anos, essa multa equivaleria hoje a cerca de 28 mil dólares australianos, ou aproximadamente R$ 103 mil na cotação atual, levando em conta a inflação. No entanto, a Biblioteca de Kiama não cobra mais multas por atraso, isentando Simmons de qualquer pagamento.
As regras antigas da instituição também revelam costumes curiosos, como a limitação de um livro por família, com a possibilidade de retirar até três exemplares se pelo menos seis membros soubessem ler. Além disso, era proibido emprestar livros a pessoas embriagadas. Após sua devolução, o exemplar não será emprestado novamente, tendo sido incorporado ao acervo de história local da biblioteca. A decisão visa evitar que o livro permaneça ausente por outro século, além de permitir que visitantes possam apreciá-lo pessoalmente.
A história do retorno do livro tem causado impacto na comunidade local, com moradores que viajaram até 40 minutos para ver a obra. Para a Biblioteca de Kiama, o episódio simboliza a preservação de um patrimônio literário e a conexão de gerações passadas com o presente. O título do livro, que aborda as antiguidade de Atenas, ganhou um significado especial ao representar uma obra que atravessou mais de um século de história, sobrevivendo ao tempo e às mudanças na sociedade.







