A pele negra possui uma proteção natural maior contra a radiação ultravioleta por causa da concentração de melanina, mas isso não elimina a necessidade de usar protetor solar. Segundo especialistas, pessoas negras também estão sujeitas a manchas, envelhecimento precoce e câncer de pele. Além disso, a dificuldade de encontrar produtos adequados aos diferentes tons de pele ainda é apontada como uma barreira para a adoção do cuidado diário.
A dermatologista Katleen Conceição explica que a melanina, pigmento produzido pelos melanócitos, contribui para a coloração da pele e absorve parte da radiação ultravioleta. Esse mecanismo ajuda a reduzir os danos provocados pelo Sol, mas não impede completamente seus efeitos.
De acordo com a especialista, a pele negra apresenta um fator de proteção natural estimado em 13,4. Já a pele branca teria uma proteção natural equivalente a cerca de 3,4, conforme estudo publicado em março de 2025 na revista científica Cureus. A diferença, no entanto, não significa que a proteção natural seja suficiente para dispensar o filtro solar.
“A melanina confere à pele negra um fator de proteção 13,4”, afirma Katleen. Segundo comunicado da L’Oréal Paris, a maior quantidade do pigmento reduz o risco de câncer de pele, mas também pode aumentar a propensão à pigmentação.
Isso ocorre porque a exposição solar estimula a produção de melanina. Como consequência, a pele negra tende a manchar com mais facilidade e apresenta maior risco de desenvolver melasma, uma condição caracterizada pelo surgimento de áreas acastanhadas, principalmente no rosto. “O Sol produz mais melanina; logo, pigmenta a pele com mais facilidade”, explica a dermatologista.
Dificuldade para encontrar produtos adequados
A ideia de que mulheres negras não precisam usar filtro solar também está relacionada à falta de opções compatíveis com seus tons de pele. A atriz Taís Araújo afirmou que a ausência de tonalidades adequadas pode dificultar o uso do produto. Segundo ela, mesmo com o surgimento de novas alternativas, muitas cores disponíveis eram claras ou escuras demais.
Durante um evento do Grupo L’Oréal realizado na terça-feira (20), em São Paulo, a atriz disse que mulheres negras foram educadas, em parte, a acreditar que não precisavam aplicar protetor solar. Para Taís, essa percepção se soma à dificuldade prática de encontrar produtos que não deixem marcas visíveis no rosto.
Bella Campos, que contracenou com Taís Araújo no remake de “Vale Tudo”, exibido pela TV Globo, também relatou ter enfrentado esse problema. Ela contou que, na adolescência, chegou a perguntar em farmácias por que não havia produtos correspondentes ao seu tom de pele. Para a atriz, a ausência de opções adequadas representa mais do que uma questão estética e pode ser considerada uma “violência invisível”.
Segundo Bella, alguns protetores deixavam o rosto esbranquiçado. Já os produtos com cor podiam adquirir aparência acinzentada ou perder a tonalidade ao longo do dia. Por causa dessas experiências, ela passou um período sem usar protetor solar, até encontrar versões incolores que se adaptassem melhor à sua pele.
A recomendação de médicos e dermatologistas é utilizar diariamente protetor solar com fator de proteção solar, o FPS, de 30 ou superior. A orientação também é mencionada para pessoas que permanecem muito tempo diante de telas, já que a luz azul emitida por dispositivos eletrônicos pode causar danos à pele.







