Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, identificaram uma molécula natural do organismo que é liberada durante a prática de exercícios físicos e que pode desempenhar um papel fundamental no fortalecimento muscular e na resistência. A substância, denominada ácido L-β-aminoisobutirico (L-BAIBA), atua como um sinal bioquímico que estimula adaptações na estrutura e no metabolismo muscular, promovendo músculos mais fortes, eficientes e menos suscetíveis à fadiga. Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Communications nesta terça-feira, dia 18, e indicam que a molécula também pode oferecer possibilidades terapêuticas no combate aos danos musculares associados ao diabetes tipo 2.
O estudo envolveu experimentos com camundongos, nos quais a administração de L-BAIBA resultou em músculos de maior volume, melhora na função muscular, aumento da resistência à fadiga e desempenho físico superior em comparação aos animais não tratados. Além disso, a pesquisa analisou modelos com obesidade e diabetes tipo 2, condições nas quais o L-BAIBA demonstrou efeito protetor contra a fraqueza muscular e disfunções relacionadas. Essas condições, frequentemente associadas à perda de massa e força muscular e a alterações no metabolismo muscular, dificultam a realização de exercícios, que são essenciais para o controle dessas doenças.
De acordo com Anna Morris, diretora adjunta de Estratégia de Pesquisa e Parcerias da organização Diabetes UK, o estudo contribui para uma compreensão mais aprofundada de como os músculos se adaptam ao exercício e aponta um possível novo alvo para melhorar a saúde muscular. A descoberta também reforça a ideia de uma “pílula do exercício”, uma intervenção capaz de reproduzir os efeitos benéficos da atividade física no organismo. No entanto, os pesquisadores destacam que essa possibilidade ainda está distante de aplicação clínica, pois é necessário avançar em novas investigações para determinar a eficácia e segurança do uso do L-BAIBA em seres humanos.
O líder do estudo, o professor Lee Roberts, especialista em Fisiologia Molecular e Metabolismo na Universidade de Leeds, explicou que aumentar os níveis dessa molécula poderia beneficiar indivíduos com dificuldades de praticar exercícios físicos regularmente. “Não podemos afirmar com certeza, mas essa é uma possibilidade”, afirmou Roberts. A equipe de pesquisa também sugere que, futuramente, o L-BAIBA possa ser explorado para tratar condições relacionadas à perda ou disfunção muscular, incluindo o envelhecimento, insuficiência cardíaca e caquexia, que é a perda extrema de peso associada ao câncer.
Um aspecto importante destacado pelos cientistas é que os efeitos observados estão relacionados especificamente ao L-BAIBA e não à sua forma relacionada, D-BAIBA. A pesquisa identificou o L-BAIBA como a versão envolvida na melhora da força muscular e na remodelação dos músculos após o exercício, com níveis sanguíneos dessa molécula em humanos relacionados à aptidão aeróbica e que aumentam após sessões de treinamento de resistência ou períodos prolongados de atividade física.
Já existia interesse pelo L-BAIBA, especialmente após estudos conduzidos por Roberts em 2014, que apontaram seus efeitos benéficos na queima de gordura e no metabolismo durante o exercício. Atualmente, o L-BAIBA está disponível como suplemento nutricional, mas os novos resultados ampliam o entendimento de seu papel na resposta muscular ao treinamento físico. Apesar do potencial terapêutico, os especialistas reforçam que a atividade física continua sendo a melhor estratégia para estimular a produção natural dessa molécula e obter seus benefícios.
Segundo Roberts, exercícios aeróbicos e de resistência, como corrida, ciclismo e jogging, elevam os níveis de L-BAIBA no organismo. Portanto, a recomendação ainda é a prática regular dessas atividades para promover a saúde muscular de forma natural. A descoberta, assim, não substitui a prática de exercícios, mas oferece uma nova perspectiva sobre os mecanismos pelos quais o corpo responde ao treinamento e abre caminhos para o desenvolvimento de tratamentos para indivíduos que, por motivos de saúde ou idade, não podem se exercitar normalmente.









