Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley anunciaram, na última sexta-feira (21), uma descoberta que pode revolucionar o tratamento da obesidade e do diabetes, ao permitir a queima de gordura sem comprometer a massa muscular. A inovação consiste em um composto que aumenta o gasto energético do organismo, diferentemente dos medicamentos atualmente utilizados, como os inibidores do receptor GLP-1, popularmente conhecidos pelos nomes comerciais Ozempic, Mounjaro e seus derivados, que atuam principalmente na supressão do apetite. Esses medicamentos têm sido amplamente utilizados, mas carregam o risco de reduzir a ingestão de nutrientes essenciais, levando a preocupações sobre a perda de massa muscular durante o emagrecimento.
A pesquisa, publicada na revista científica Science Advances, apresenta uma abordagem que foca na aceleração do metabolismo, promovendo a queima de gordura de forma mais eficiente e segura. Segundo Anders Näär, um dos principais pesquisadores do estudo, “o peso corporal responde a duas alavancas: ingerir menos calorias ou gastar mais energia. Os GLP-1s atuam quase que exclusivamente na primeira, então focamos na segunda”. Essa mudança de estratégia levou os cientistas a investigarem compostos capazes de estimular o gasto energético do corpo.
O composto central dessa pesquisa é o ácido 5-tetradeciloxi-2-furoico, conhecido como TOFA, uma molécula descoberta na década de 1970 por sua capacidade de bloquear a produção de lipídios como colesterol e triglicerídeos. Os estudos mostraram que o TOFA também pode ativar receptores celulares PPARα e PPARδ, que regulam genes responsáveis por facilitar a absorção de gordura pelas células e sua posterior queima para geração de energia. Quando administrado a ratos obesos, o composto promoveu uma significativa perda de gordura, sem afetar a massa muscular, além de melhorar a sensibilidade à insulina, controlar os níveis de glicose, reduzir triglicerídeos e melhorar as características da doença hepática gordurosa não alcoólica.
Os resultados indicaram que o uso do TOFA aumentou em 18% o gasto energético do metabolismo, sem alterar a atividade física ou a temperatura corporal dos animais. Essa resposta metabólica coordenada diferencia o composto de outras tentativas anteriores, que envolveram combinações de substâncias para bloquear lipídios e aumentar o gasto energético, mas sem sucesso. Segundo Justin Lee, também da Universidade da Califórnia, “o TOFA parece desencadear uma resposta metabólica coordenada que ativa vias de gasto energético, ajudando o corpo a lidar melhor com o excesso de lipídios e glicose”.
Apesar do potencial, os pesquisadores destacam que o composto não deve substituir completamente os medicamentos baseados em GLP-1. Em vez disso, ele poderia atuar como um complemento, potencializando os efeitos de redução de peso e controle glicêmico. Testes realizados em combinação com esses medicamentos demonstraram melhorias nos níveis de glicose, insulina, triglicerídeos e peso corporal, mas ainda são necessárias novas investigações para confirmar sua eficácia e segurança em humanos. Assim, o avanço representa uma esperança de tratamentos mais eficazes e menos prejudiciais na luta contra a obesidade e o diabetes.







