Uma onda oceânica de 17,6 metros de altura foi registrada no Oceano Pacífico, próximo à costa de Ucluelet, na província de British Columbia, no Canadá. O fenômeno chamou a atenção por sua magnitude excepcional, representando uma das maiores ondas já medidas em relação à altura média do mar na região. O episódio ocorreu em 17 de novembro de 2020, quando uma boia instalada pela MarineLabs capturou a passagem da onda perto da ilha de Vancouver. Subsequentemente, pesquisadores da Universidade de Victoria realizaram análises detalhadas do registro e publicaram os resultados na revista Scientific Reports, destacando a singularidade do evento.
A comparação entre a altura da onda e a chamada altura significativa — uma métrica que representa a média do terço das ondas mais altas observadas em um dado período — revelou a magnitude do fenômeno. Na ocasião, a altura significativa do mar na região era de aproximadamente seis metros, uma medida padrão utilizada na oceanografia para avaliar a intensidade do mar. A onda de 17,6 metros, portanto, atingiu quase três vezes esse valor de referência, evidenciando uma discrepância notável entre o evento extremo e o mar ao seu redor. A altura total da onda corresponde à distância vertical entre sua parte mais baixa e o ponto mais alto, demonstrando seu potencial destrutivo e a raridade de sua formação.
Ondas com tamanhos tão desproporcionais ao mar comum são classificadas como ondas anômalas, fenômenos considerados extremos no estudo oceanográfico. Um dos registros mais famosos de ondas desse tipo foi a onda Draupner, que atingiu 25,6 metros de altura em 1995, no Mar do Norte, na Noruega. Apesar de maior, a onda Draupner tinha uma proporção menor em relação à altura média do mar da época, sendo pouco mais que o dobro do valor de referência. Isso evidencia que, embora a Draupner seja frequentemente citada por sua importância histórica na medição de ondas extremas, a onda registrada no Canadá apresentou uma relação proporcional ainda mais acentuada, reforçando seu caráter excepcional.
A pesquisa publicada em 2026 na revista Ocean Science, conduzida por uma equipe da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, aprofundou o entendimento sobre as condições que levam à formação de ondas anômalas. Os estudos compararam registros de boias com modelos matemáticos utilizados para simular o comportamento oceânico. Os resultados indicaram que esses modelos tendem a subestimar a magnitude de eventos extremos, pois suavizam as variações reais observadas nas medições. Além disso, os pesquisadores identificaram um padrão comum antes da formação de muitas ondas anômalas: uma rápida diminuição na relação entre a altura dos topos e as partes mais baixas das ondas, seguida por um aumento acentuado dessa relação.
Os achados sugerem que monitorar essa relação ao longo do tempo pode contribuir para o reconhecimento de condições favoráveis à formação de ondas extremas. Incorporar informações mais detalhadas e precisas aos modelos de previsão oceânica pode aprimorar a avaliação de riscos para embarcações, plataformas e estruturas costeiras, além de fornecer subsídios para estratégias de segurança marítima. Assim, o estudo reforça a importância de avanços tecnológicos na medição e modelagem do comportamento do mar, especialmente diante de eventos raros e potencialmente destrutivos como as ondas anômalas.








