A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelou que os países das Américas alocam cerca de 3% de seus recursos de saúde para questões relacionadas à saúde mental, um percentual considerado insuficiente diante da magnitude do problema. A instituição destacou que, apesar de esforços recentes, há uma necessidade urgente de ampliar o investimento e fortalecer as ações de prevenção ao suicídio, especialmente em um contexto onde, em 2021, aproximadamente 100.760 pessoas perderam a vida por suicídio na região.
A iniciativa de reforço às ações de saúde mental foi lançada há um ano, com foco na sensibilização de governos e na capacitação de profissionais de saúde. O esforço é especialmente relevante em torno do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, comemorado em 10 de setembro, data que visa alertar a sociedade e os governos sobre a gravidade do tema. Segundo o comunicado da OPAS, a elevada mortalidade por suicídio evidencia a necessidade de ações mais incisivas e coordenadas para combater esse problema de saúde pública.
O diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, ressaltou que o suicídio continua sendo um desafio importante na região e que muitas vidas poderiam ser evitadas com ações sustentadas e integradas. Ele destacou que, durante o primeiro ano de implementação da iniciativa, os países demonstraram que avanços são possíveis quando a prevenção é priorizada e apoiada por sistemas de saúde mais robustos, melhores dados e uma atuação coordenada entre diferentes setores.
As melhorias nas estratégias de prevenção estão fundamentadas no guia intitulado “Viver a Vida”, lançado em 2021 pela OPAS. Com mais de 130 páginas, o documento é dedicado exclusivamente à prevenção do suicídio, buscando fortalecer a governança, os serviços de saúde e os mecanismos de vigilância. Além de abordar fatores de risco relacionados aos comportamentos suicidas, o guia também visa reduzir o estigma associado ao tema. A publicação está disponível ao público com tradução em português, facilitando o acesso às informações.
Outra iniciativa importante envolve a capacitação de profissionais de atenção primária à saúde. Mais de 2.4 mil profissionais já concluíram um curso sobre identificação, manejo e encaminhamento de pessoas com risco de suicídio e autolesão, oferecido pelo Campus Virtual de Saúde Pública da OPAS. Essa formação é fundamental, pois a atenção primária costuma ser o primeiro ponto de contato para indivíduos enfrentando problemas de saúde mental, embora muitos países ainda apresentem lacunas na disponibilidade de serviços e intervenções adequadas.
Segundo dados da OPAS, a média de profissionais de saúde mental na região é de 14,9 por cada 100 mil habitantes, com diferenças significativas entre as sub-regiões, o que evidencia a disparidade no acesso a cuidados especializados. A iniciativa, com duração prevista de três anos, tem como meta contribuir para uma redução de 5,5% nas mortes por suicídio na região até 2031.
Renato Oliveira, chefe da Unidade de Saúde Mental e Uso de Substâncias da OPAS, afirmou que uma das lições aprendidas é que a prevenção eficaz deve estar integrada aos sistemas já utilizados pelas pessoas, desde a atenção primária até os serviços comunitários e de resposta a crises. Segundo Oliveira, ao fortalecer e conectar esses sistemas, os países poderão passar de uma resposta focada em crises individuais para uma estratégia de prevenção mais ampla e sistemática, chegando às pessoas em fases iniciais de risco e evitando que atinjam pontos críticos.








