Dados recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam um aumento de 670% na venda de anabolizantes contendo testosterona no Brasil nos últimos cinco anos. Essas substâncias, que podem ser administradas por via oral ou injetável, são utilizadas para estimular o crescimento celular e promover o aumento de tecidos como músculos e ossos. Apesar de sua popularidade, é importante destacar que, no país, a prescrição médica é obrigatória para a aquisição desses produtos, que não podem ser utilizados para fins estéticos sem orientação adequada.
Entretanto, não há consenso científico sobre qual anabolizante é o mais perigoso, pois o grau de risco depende de múltiplos fatores, incluindo a dose, a duração do uso, a combinação com outras substâncias, a predisposição genética do usuário e a qualidade do produto. Uma preocupação significativa é a comercialização de anabolizantes falsificados no mercado paralelo, que podem representar riscos ainda maiores à saúde.
Dentre as substâncias consideradas mais nocivas, a trembolona se destaca por sua alta periculosidade. Essa substância é um fármaco veterinário, utilizado na agroindústria para estimular o crescimento de animais, e não possui liberação para uso humano. Seu uso por atletas e fisiculturistas ocorre muitas vezes em combinação com outros anabolizantes perigosos, como a oximetolona, comercializada sob o nome de Anadrol. A trembolona é associada a uma série de danos severos ao organismo, podendo, em casos extremos, levar à morte.
Os principais riscos associados ao uso de trembolona incluem hipertrofia e fibrose do músculo cardíaco, além de lesões nos rins e fígado. Ela também pode provocar um aumento acentuado da pressão arterial, alterações nos níveis de colesterol, com redução do HDL (colesterol bom) e aumento do LDL (colesterol ruim). Além disso, usuários frequentemente enfrentam alterações psiquiátricas, como ansiedade, agressividade e insônia, além de uma quase completa supressão da produção natural de testosterona, o que pode levar a problemas hormonais de longo prazo.
A trembolona não é a única substância de alta periculosidade no universo dos anabolizantes. Outros compostos como a metandrostenolona, conhecida como Dianabol, a oximetolona e o estanozolol, popularmente chamado de Winstrol, também apresentam riscos consideráveis. Apesar de o estanozolol ser muitas vezes considerado “mais leve”, estudos indicam que sua potencialidade de causar danos é comparável a de outros esteroides mais potentes. A boldenona, outro anabolizante bastante utilizado no Brasil, é especialmente conhecida por sua capacidade de elevar a pressão arterial, o que representa um risco elevado à saúde renal.
De modo geral, os esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) apresentam sérios riscos à saúde. Eles podem comprometer funções cardiovasculares, hepáticas, renais e hematológicas, além de desencadear transtornos psiquiátricos. Há registros frequentes de casos de morte súbita e acidentes vasculares cerebrais (AVC) em jovens que fazem uso dessas substâncias de forma indiscriminada.
Para quem busca ganhar massa muscular de forma segura, a recomendação é procurar acompanhamento médico e nutricional, aliado à prática regular de exercícios físicos. O uso de anabolizantes sem indicação médica representa um risco elevado à saúde e pode gerar consequências irreversíveis.








