O comércio varejista brasileiro projeta que as vendas relacionadas ao Dia dos Pais de 2026 alcançarão aproximadamente R$ 8,52 bilhões, conforme estimativa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Este valor representa uma expectativa de recuperação do setor, que vem apresentando sinais de retomada após períodos de retração, embora o cenário atual ainda seja marcado por uma maior cautela por parte dos consumidores na hora de realizar suas compras.
A previsão ocorre em um contexto de maior seletividade nas decisões de compra, influenciada por fatores econômicos que continuam a impactar o comportamento do consumidor. Entre esses fatores, destacam-se o custo do crédito, o elevado nível de endividamento das famílias e a necessidade de planejamento financeiro rigoroso. Essas condições fazem com que os consumidores adotem uma postura mais analítica, realizando pesquisas de preços e buscando alternativas mais acessíveis antes de concretizar suas aquisições. Assim, ainda que o ambiente macroeconômico seja considerado favorável ao consumo, esses obstáculos mantêm uma certa limitação ao crescimento das vendas.
Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, apesar do cenário macroeconômico favorecer o aumento do consumo, o crédito permanece como um fator desafiador. Ele explica que a redução do desemprego e o crescimento da massa de rendimentos criaram um ambiente propício para impulsionar as vendas na data, similar ao que se observa em outras celebrações do calendário recente. No entanto, o alto nível de endividamento das famílias e a fragilidade das condições de financiamento atuam como fatores limitantes, impedindo uma expansão mais acelerada do consumo.
A expectativa da CNC é que o Dia dos Pais seja especialmente favorável para segmentos tradicionais, como vestuário, calçados, perfumes, eletrônicos e itens de uso pessoal. Além desses produtos, há uma tendência de crescimento na demanda por presentes relacionados a experiências e serviços, refletindo uma mudança no perfil de consumo, com uma parcela dos consumidores optando por presentes que proporcionem momentos ao invés de bens físicos.
Embora seja uma data de grande importância para o comércio, o Dia dos Pais ainda fica atrás de outras datas comemorativas relevantes, como o Natal e o Dia das Mães, em termos de movimentação financeira no varejo. Para exemplificar, a previsão da CNC para o Dia dos Namorados de 2026 indica uma movimentação de R$ 2,84 bilhões, com avanço real de 2,5% em relação ao ano anterior, impulsionada pela melhora no mercado de trabalho e na renda familiar, que sustentam o consumo mesmo diante de condições de crédito mais restritivas.
Para o próximo Dia dos Pais, a expectativa é que o setor utilize estratégias de promoções e campanhas antecipadas para atrair consumidores mais atentos ao preço. Lojas físicas e plataformas digitais deverão competir por espaço por meio de descontos, facilidades de pagamento e ofertas especiais, buscando estimular as vendas em um momento de maior cautela por parte do público.
Este período também ocorre em um cenário de atenção às políticas monetárias, uma vez que a taxa de juros, atualmente em 14% ao ano, influencia diretamente as compras de maior valor, muitas das quais dependem de financiamento ou parcelamentos longos. Além disso, a inflação continua sendo uma preocupação, pois a alta de preços em determinados produtos pode levar os consumidores a reduzir o valor médio dos presentes ou optar por marcas mais acessíveis, ajustando suas escolhas ao orçamento disponível.
Esse comportamento de ajuste já tem sido observado em outras datas comemorativas, demonstrando uma tendência de manter o hábito de presentear, mas com maior atenção ao custo. Assim, o desempenho do comércio na data deve servir como um indicador do ritmo de consumo das famílias na segunda metade do ano, especialmente diante dos desafios impostos pela política de juros e pelas condições financeiras que moldam a economia brasileira.








