A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, nesta terça-feira (13/10), trouxe à tona a discussão sobre o linfoma não Hodgkin de células B, tipo de câncer que ele enfrentava. Para esclarecer os aspectos dessa doença, o portal LeoDias conversou com a oncologista Sabina Aleixo, que detalhou como o câncer se desenvolve, quais são seus principais sinais e por que sua progressão pode variar de acordo com cada paciente.
O linfoma não Hodgkin de células B é uma neoplasia que se origina nos linfócitos B, células do sistema imunológico responsáveis por produzir anticorpos e auxiliar na defesa do organismo contra infecções. A doença ocorre quando essas células passam por alterações genéticas que provocam seu crescimento descontrolado, formando tumores nos linfonodos e em outros órgãos. Segundo a especialista Sabina Aleixo, o câncer pode afetar diferentes regiões do corpo, incluindo os gânglios linfáticos — popularmente conhecidos como ínguas — além do baço, fígado e medula óssea.
Existem diversos subtipos de linfoma não Hodgkin de células B, cada um com comportamento distinto. Alguns desses subtipos apresentam crescimento rápido, o que exige um tratamento mais agressivo e de resposta mais imediata, enquanto outros evoluem de forma mais lenta, possibilitando abordagens diferentes e prognósticos mais favoráveis. Essas variações influenciam diretamente as estratégias terapêuticas adotadas e o tempo de resposta ao tratamento, além do potencial de cura.
Quanto aos sintomas, o aumento de gânglios linfáticos é o sinal mais comum, especialmente na região do pescoço, axilas e virilha. Geralmente, esses ínguas não provocam dor, mas sua presença persistente deve ser avaliada por um médico, pois nem todo aumento de linfonodo indica câncer. Outros sinais frequentes incluem febre sem causa aparente, sudorese intensa, especialmente à noite, perda de peso inexplicada e fadiga constante. Em alguns casos, o desenvolvimento da doença ocorre de forma silenciosa, sem sintomas evidentes inicialmente, o que reforça a importância de avaliações médicas regulares diante de alterações persistentes.
A confirmação diagnóstica do linfoma não Hodgkin ocorre principalmente por meio de uma biópsia, procedimento que permite a análise de uma amostra de tecido para identificar o tipo de câncer. Após essa etapa, exames complementares como exames de sangue, tomografia computadorizada e PET-CT são utilizados para determinar a extensão da doença. Esses procedimentos ajudam os médicos a avaliar quais órgãos estão envolvidos e a planejar o tratamento mais adequado, levando em consideração fatores como a idade, o estado geral de saúde do paciente e o grau de comprometimento dos órgãos.
No que diz respeito às possibilidades de cura, muitos pacientes podem alcançar a remissão completa, dependendo do subtipo, do estágio da doença e da resposta ao tratamento. Entre as opções terapêuticas disponíveis estão a quimioterapia, a imunoterapia e os medicamentos direcionados às células cancerígenas. Em casos específicos, procedimentos como o transplante de células-tronco e a terapia CAR-T, que utiliza células de defesa do próprio paciente modificadas em laboratório para combater o câncer, também podem ser indicados.
De acordo com a especialista Sabina Aleixo, os avanços na medicina têm ampliado as possibilidades de tratamento e aumento das taxas de cura. Contudo, ela reforça que cada caso deve ser avaliado individualmente, pois a resposta às terapias varia de paciente para paciente. Ela destaca ainda que o diagnóstico de linfoma não Hodgkin não representa uma sentença definitiva de morte, enfatizando a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado para melhorar as perspectivas de tratamento e recuperação.







