A influenciadora digital Malévola Alves retornou às redes sociais nesta quinta-feira, 22 de outubro, para relatar detalhes de sua experiência durante a detenção no Egito. Após ser libertada na quarta-feira, 21 de outubro, mediante pagamento de uma fiança de aproximadamente R$ 10 mil, ela afirmou ter sido vítima de abusos por parte de policiais locais e de uma prisão motivada por transfobia, além de esclarecer que a acusação de atos obscenos em espaços públicos não condiz com a real motivação de sua prisão.
Malévola Alves contou que, ao chegar na delegacia, foi obrigada a se despir diante dos policiais e a mentir sobre sua identidade de gênero, alegando que precisou esconder sua condição de trans para evitar maus-tratos. Ela relatou que, ao mostrar sua genitalidade, os policiais passaram a tratá-la de forma mais branda, o que, segundo ela, demonstra a transfobia que enfrentou. A influenciadora afirmou que a prisão ocorreu por motivos relacionados à sua condição de transgênero, contrariando as versões divulgadas inicialmente por autoridades locais, que alegaram atos obscenos em locais públicos.
Durante o relato, Malévola revelou que, além do constrangimento físico, sofreu abusos por parte de alguns policiais enquanto esteve detida, junto com sua amiga Bruna Mercatelli, também acusada na mesma ocasião. Ela afirmou que ambas foram vítimas de maus-tratos e abusos sexuais durante o período de prisão, o que a deixou profundamente abalada. Em suas declarações, ela afirmou que a situação foi agravada pelo fato de as pessoas ao redor, inclusive algumas que fazem piadas com o caso, não compreenderem a gravidade dos abusos sofridos, o que ela considerou uma atitude cruel.
A influenciadora também criticou duramente quem zombou de sua situação, prometendo tomar providências legais contra aqueles que fizerem comentários desrespeitosos ou debochados sobre o episódio. Ela reforçou que a situação é séria e que, apesar do sofrimento, pretende buscar justiça contra quem desrespeitou seus direitos e sua dignidade.
Malévola Alves destacou que sua prisão foi motivada por uma acusação de atos obscenos em espaços públicos, além de alegações de violação dos valores familiares e de assédio a transeuntes. Essas acusações, segundo ela, não condizem com a realidade dos fatos, uma vez que a motivação verdadeira estaria relacionada à sua identidade de gênero e à transfobia que enfrentou no país. A influenciadora retornou ao Brasil após a liberação, e seu caso ganhou repercussão internacional, levantando debates sobre o tratamento de pessoas trans em países estrangeiros, especialmente em regiões onde os direitos dessa população ainda enfrentam resistência.
Este episódio evidencia a vulnerabilidade de pessoas trans em contextos de vulnerabilidade internacional e destaca a necessidade de maior atenção às violações de direitos humanos, além de reforçar a importância de ações judiciais contra abusos e discriminações. Malévola Alves promete seguir com ações legais contra os responsáveis pelos abusos e pelo tratamento recebido, buscando justiça e conscientização sobre a transfobia e os abusos policiais.






