O ator José de Abreu manifestou publicamente sua insatisfação com a postura de alguns colegas do meio artístico em relação ao cenário político atual no Brasil. Em uma postagem nas redes sociais, o veterano, conhecido por sua forte inclinação à esquerda, criticou a aparente omissão de certos artistas frente ao que ele classificou como o “retorno do fascismo” ao poder no país. A declaração ocorre em um momento de intensificação do debate político após as eleições presidenciais de 2022, que tiveram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como vencedor, e Flávio Bolsonaro (PL) como principal adversário no segundo turno.
No texto, José de Abreu afirmou não entender a resistência de alguns colegas em se posicionar contra o avanço de ideologias autoritárias. Ele citou nomes específicos, como Selton Mello, Danton Mello, Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann, questionando por que esses artistas, que possuem visibilidade e influência, permanecem em silêncio ou relutam em se manifestar publicamente sobre o tema. Segundo o ator, essa omissão representa uma forma de complacência que, na visão dele, contribui para o fortalecimento de um cenário autoritário no país.
O ator destacou que, apesar de sua preferência política alinhada à esquerda, não é necessário que seus colegas apoiem explicitamente o candidatura de Lula ou qualquer partido político em particular. Para ele, o importante é que se expressem contra o fascismo, especialmente em um momento em que a polarização política acirra os ânimos e há ameaças à democracia. “A vida quer é coragem”, afirmou, reforçando seu apelo por uma postura mais ativa por parte dos artistas na defesa dos valores democráticos.
José de Abreu também criticou a falta de posicionamento de artistas que já abordaram temas relacionados à ditadura militar e às questões autoritárias na história do Brasil. Ele citou o caso de Selton Mello, que dirigiu o filme “Ainda Estou Aqui”, uma obra que trata da experiência da ditadura, e questionou por que o ator e diretor não se manifestou publicamente contra o que ele chamou de “fascismo que está querendo tomar conta do país”. Além disso, o ator pediu que outros nomes, como Giovanna Antonelli, Carolina Dieckmann e Danton Mello, também se posicionem, mesmo que de forma simples, sem a necessidade de vinculação direta a partidos políticos ou candidaturas.
A cobrança de José de Abreu se estende ao exemplo de Ana Paula Renault, participante do reality show “Big Brother Brasil 26”, que, segundo ele, tem se manifestado de forma mais clara contra o avanço de ideias autoritárias, desvinculando-se de qualquer ligação com o Partido dos Trabalhadores (PT). Para o ator, a postura de alguns artistas pode influenciar a opinião pública e ajudar a consolidar uma resistência contra o que ele considera uma ameaça à democracia brasileira.
A manifestação de José de Abreu reforça o debate sobre o papel dos artistas na política e na defesa dos direitos civis, especialmente em tempos de crise institucional. Sua cobrança expõe a preocupação de que a omissão de figuras públicas possa facilitar o fortalecimento de discursos autoritários e a negação de valores democráticos, estimulando uma reflexão sobre a responsabilidade social dos profissionais do meio artístico diante dos desafios atuais do Brasil.








