O ator José de Abreu manifestou-se neste domingo (13 de setembro) em defesa do colega Eduardo Moscovis e criticou duramente Juliano Cazarré por uma declaração considerada equivocada no debate sobre o número de mortes de homens e feminicídios no Brasil. A controvérsia teve início após Cazarré, conhecido por seu papel na novela “Avenida Brasil” (2012), fazer uma comparação entre as mortes de homens e os feminicídios, o que gerou reação negativa por parte de Moscovis e de outros críticos.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, José de Abreu destacou a importância de distinguir as diferentes naturezas dessas mortes, reforçando que há uma distinção fundamental entre elas. Segundo o ator, enquanto as mortes de homens abrangem diversas causas, como acidentes, ações policiais e crimes variados, os feminicídios representam uma violência motivada pelo gênero, com um contexto específico de violência de gênero contra as mulheres.
A polêmica começou quando Juliano Cazarré tentou fazer essa comparação, afirmando que o número de “masculinicídios” — termo que ele utilizou para se referir às mortes de homens — seria maior do que o de feminicídios. Essa afirmação foi contestada por Eduardo Moscovis, que rebatou o colega, levando Cazarré a elevar o tom de voz na discussão.
José de Abreu, que tem 80 anos e uma longa trajetória no teatro e na televisão, criticou a postura de Cazarré, iniciando sua fala com uma forte observação: “Juliano, você não pode dar uma entrevista dizendo que o número de masculinicídios é maior do que o número de feminicídios. Isso é um absurdo.” Ele explicou que a comparação feita por Cazarré mistura todas as mortes de homens, incluindo homicídios, acidentes de trânsito, mortes por ações policiais e latrocínios, com os feminicídios, que são crimes motivados pelo gênero, e que essa distinção é fundamental para uma compreensão adequada do problema.
Abreu reforçou que, pela sua origem e inteligência, Cazarré não seria uma pessoa ignorante, sugerindo que o ator possa ter se enganado ou sido infiel à verdade ao fazer a declaração. O veterano também lamentou a reação agressiva de Cazarré ao ser contestado por Moscovis, destacando que essa postura não condiz com o respeito que deve prevalecer em debates públicos sobre temas sensíveis, como a violência de gênero.
Apesar de criticar a postura de Cazarré, José de Abreu buscou minimizar a polêmica, ressaltando as qualidades pessoais do colega e sua convivência amigável com ele nos bastidores de uma última novela, intitulada “Volta por Cima”. O ator afirmou que ambos se dão bem no ambiente de trabalho e que a educação de Cazarré é evidente.
A discussão evidencia a complexidade de temas relacionados à violência e à mortalidade no Brasil, especialmente quando envolvem estatísticas que podem ser interpretadas de formas diversas. A distinção entre mortes por causas variadas e feminicídio é considerada crucial por especialistas e ativistas na luta pelos direitos das mulheres, pois reforça a necessidade de políticas específicas para combater a violência de gênero. A manifestação de José de Abreu reforça a importância de se manter o rigor na discussão de dados e de evitar interpretações equivocadas que possam distorcer a compreensão do problema social.








