O apresentador Ratinho utilizou seu programa na noite desta segunda-feira, 10 de agosto, para se manifestar em resposta a uma denúncia de homofobia registrada junto ao Ministério Público de São Paulo. A acusação surgiu após uma fala do comunicador sobre o cantor sertanejo Tiago Piquilo, na qual afirmou que o artista apresentava “cara de viado”. Durante sua fala, Ratinho declarou que a frase foi uma brincadeira e negou qualquer intenção de desrespeitar o artista ou promover discurso homofóbico.
Em sua defesa, Ratinho destacou que sua trajetória na televisão, que completa 28 anos de carreira, sempre foi pautada pelo respeito às pessoas. Ele afirmou que, ao longo de sua trajetória, nunca desrespeitou alguém e que, quando há conflitos, eles se resolvem de forma física, como “tapa, soco ou pontapé”, mas nunca com palavras ou atitudes que desrespeitem alguém. Segundo o apresentador, sua conduta sempre foi de brincadeira e bom humor, e que sua reputação na televisão é de alguém que brinca com todos, sem intenção de ofender.
A denúncia foi apresentada pelo deputado estadual suplente Agripino Magalhães Júnior, filiado ao PSOL-SP, que já protocolou outras queixas contra Ratinho. Durante seu pronunciamento, o apresentador evitou citar o nome do parlamentar, acusando-o de usar uma entidade para obter vantagem financeira. Ratinho afirmou que o deputado estaria usando a denúncia como uma estratégia para obter benefícios, questionando a legitimidade da acusação e sugerindo que ela seria motivada por interesses pessoais ou financeiros.
Ratinho também criticou a quantidade de processos na Justiça brasileira, sugerindo que o deputado estaria “incomodando de novo” e insinuando que a ação seria uma tentativa de ganhar dinheiro às custas do apresentador. Ele reforçou que sua intenção foi apenas uma brincadeira e pediu que as pessoas não levassem a situação a sério de forma equivocada, alegando que a Justiça já possui muitos processos e que não há necessidade de criar mais.
O episódio gerou repercussão, especialmente porque o caso também foi mencionado na conversa com Galvão Bueno, que apareceu na sequência na programação do SBT, onde Ratinho é apresentador. Galvão, que conhece Ratinho desde os tempos em que ambos atuavam na televisão paranaense, saiu em defesa do colega, afirmando que, em seus primeiros anos na televisão, Ratinho nunca desrespeitou ninguém. O narrador também se mostrou surpreso com a situação, embora não tenha detalhes específicos do episódio que motivou a denúncia.
Para ilustrar sua defesa, Ratinho comparou a situação a um episódio envolvendo Silvio Santos, antigo dono do SBT. Segundo ele, Silvio teria decidido deixar de fazer brincadeiras com crianças após uma denúncia de um promotor de Osasco, que alegou que ele tratava mal as crianças. Silvio Santos teria então decidido parar de fazer esse tipo de brincadeira, alegando que era uma forma de evitar problemas legais e manter a simplicidade de suas ações na televisão.
O caso ainda está em andamento, mas a postura de Ratinho demonstra sua tentativa de minimizar a polêmica, reforçando que suas ações foram de brincadeira e que não houve intenção de ofender ou promover discurso de ódio. A situação evidencia a sensibilidade do tema e a repercussão de declarações consideradas homofóbicas na mídia brasileira, bem como a necessidade de debates sobre limites e respeito na comunicação pública.








