O Atlético Mineiro vive atualmente um momento de destaque na temporada de 2026, com atuações que o colocam entre os semifinalistas da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana, além de disputar posições de destaque no Campeonato Brasileiro, brigando pelo G4. Essa fase positiva, que tem causado preocupação aos adversários, resulta de uma combinação de planejamento, persistência e decisões estratégicas tomadas pela diretoria do clube. Em entrevista exclusiva ao O TEMPO Sports, Paulo Bracks, vice-presidente de Futebol do clube, detalhou os fatores que contribuíram para esse desempenho e apontou o momento de virada de chave na temporada.
Segundo Bracks, não há um único fator que explique a melhora do time, mas sim um conjunto de ações coordenadas. Ele destacou que a mudança na comissão técnica, ocorrida em fevereiro, foi um marco importante, embora o sucesso só tenha se consolidado após um período de trabalho intenso, paciência e união do grupo. O clássico vencido no dia 2 de maio, no Mineirão, foi considerado por ele como o ponto de inflexão, sinalizando uma verdadeira virada de temporada. Desde então, o Atlético acumulou 30 jogos com um aproveitamento de aproximadamente 65%. A intertemporada, período em que a comissão pôde conhecer melhor os atletas, também foi fundamental para o aprimoramento técnico e tático.
O ambiente do elenco também se mostrou mais coeso e fortalecido. Bracks confirmou que a união do grupo é evidente em treinamentos, viagens, no vestiário e durante as partidas, o que, na visão dele, influencia positivamente nos resultados. Para explicar essa evolução, ele atribuiu o sucesso ao comando do técnico Eduardo, que se consolidou na liderança após três meses de trabalho, à chegada do profissional Guilherme, que reforçou a coesão do grupo, além da qualidade técnica dos jogadores e do surgimento de novos líderes internos, como Lodi, Maycon, Fred, Éverson, Lyanco, Bernard, Ruan e Franco. A implementação de uma nova cultura de trabalho no centro de treinamento, apoiada pelo corpo técnico e pela diretoria, também foi apontada como um fator decisivo para o ambiente de alta performance.
Na questão do elenco, Bracks explicou que o clube investe continuamente em monitoramento, scouting e análise de desempenho, com o centro de inteligência Ciga atuando de forma integrada e 24 horas por dia. Essa estratégia permite identificar carências, definir perfis de jogadores, mapear o mercado e tomar decisões de entradas e saídas de forma mais eficiente. Como resultado, o Atlético conseguiu deixar o elenco mais jovem, com uma média de idade inferior a dois anos em relação ao ano anterior, além de reduzir a quantidade de atletas com mais de 30 anos. Foram promovidos cinco jogadores da base e contratados 11 novos atletas, o que gerou um elenco mais equilibrado, com maior competitividade interna e perfil alinhado às metas do clube. Bracks destacou que esse processo de renovação e fortalecimento foi realizado em duas janelas distintas, uma de investimento maior, outra com menor aporte financeiro, mas ambas complementares, resultando em uma formação de grupo que atende às expectativas do departamento de futebol.
Outro aspecto ressaltado por Bracks foi o espaço conquistado por atletas formados na própria base, como Cissé, Kauã Pascini, Gabriel Delfim e Vitão. Ele afirmou que a transição dos jovens talentos foi planejada desde o ano passado, com o apoio de profissionais dedicados à formação, como Luiz Carlos, responsável pelo desenvolvimento das categorias de base. O resultado dessa estratégia é evidente na quantidade de minutos em campo concedidos aos jovens, que saltou de menos de 500 em 2025 para mais de 4 mil neste ano, com destaque para Vitão, Pascini e Cissé, que ultrapassaram a marca de 1.000 minutos cada. A cultura de promover jovens talentos faz parte do projeto Galo 2030, que busca consolidar uma filosofia de formação e valorização da base como parte integrante do sucesso do clube.
Por fim, Bracks reforçou a prioridade dada pelo Atlético à Copa Sul-Americana, especialmente após a dor do vice conquistado na edição anterior. Ele afirmou que a competição se tornou uma obsessão para o clube, seus jogadores e torcedores, mas destacou a necessidade de manter os pés no chão e o respeito ao adversário. Com uma vantagem significativa na fase atual, o objetivo é chegar à final e conquistar o título, encerrando um ciclo de dificuldades e reafirmando o compromisso do clube com o sucesso internacional.






