A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou nesta quinta-feira (15) que está investigando as revendas de combustíveis situadas no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, em decorrência de suspeitas relacionadas à qualidade e à procedência do combustível utilizado nas aeronaves do local. A ação ocorre quatro dias após a queda de duas aeronaves que decolaram do mesmo terminal, ambas ocorridas na última sexta-feira (9), aumentando o grau de preocupação e atenção às operações de abastecimento no aeroporto.
Conforme informações oficiais da ANP, a fiscalização no Aeroporto da Pampulha incluiu a coleta de amostras de combustíveis utilizados por empresas revendedoras no terminal. Essas amostras serão submetidas a análises laboratoriais detalhadas para verificar possíveis irregularidades relacionadas à composição e à qualidade do combustível de aviação comercializado na região. A agência destacou que a iniciativa faz parte de procedimentos padrão de fiscalização, visando assegurar o cumprimento das normas de segurança e qualidade do setor de combustíveis de aviação.
Em nota enviada à reportagem, o terminal aeroportuário afirmou que está colaborando integralmente com as autoridades competentes na apuração dos fatos. A administração do aeroporto ressaltou que não realiza diretamente o abastecimento das aeronaves, esclarecendo que essa atividade é de responsabilidade de empresas especializadas, que possuem a responsabilidade de garantir a conformidade dos produtos comercializados, bem como o cumprimento de todas as normas regulamentares aplicáveis à atividade.
As ocorrências envolvendo aeronaves no Aeroporto da Pampulha tiveram grande repercussão na imprensa e na sociedade local. Na última sexta-feira, duas aeronaves caíram em Minas Gerais, uma delas no pátio de manutenção do metrô, na região do bairro São Gabriel, em Belo Horizonte, por volta das 11 horas. O acidente resultou na morte do piloto, que conduzia um monomotor modelo Neiva EMB-711ST, com destino a Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo informações de um relatório preliminar, a aeronave havia passado por manutenção na mesma sexta-feira, com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) renovado até 9 de outubro de 2027, indicando que estava em condições de voo.
Ainda na sexta-feira, por volta das 17 horas, uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), um bimotor Beechcraft King Air 300, com prefixo PP-EJO, também caiu nas proximidades do Aeroporto de Ipatinga, localizado em Santana do Paraíso, no Vale do Aço. As três vítimas do acidente foram identificadas como o tenente-coronel Luiz Fernando Silvestre, a primeira-tenente Gabriela Emília Soares Lacerda Resende e a primeira-tenente Alice dos Santos Oliveira Almeida. As circunstâncias específicas das duas quedas ainda estão sendo investigadas, mas os acidentes reforçam a preocupação com a segurança operacional na região.
A investigação conduzida pela ANP e pelas autoridades aeronáuticas busca esclarecer as causas dessas ocorrências, incluindo possíveis irregularidades no abastecimento de combustíveis, que possam ter contribuído para os acidentes. Enquanto isso, a fiscalização no Aeroporto da Pampulha permanece intensificada, com a coleta de amostras de combustíveis e a análise detalhada de procedimentos de abastecimento, na tentativa de assegurar a integridade e a segurança das operações aéreas na região.








