O Hospital Belo Horizonte, localizado no bairro Cachoeirinha, na região Nordeste de Belo Horizonte, anunciou nesta segunda-feira (28) a retomada do serviço de pronto atendimento adulto, que havia sido suspenso em 20 de julho. A reativação do serviço ocorre após um período de aproximadamente dois meses de interrupção, resultado de uma crise financeira que afetou a unidade hospitalar.
Segundo comunicado oficial divulgado pelo hospital, o pronto atendimento estará disponível inicialmente para as especialidades de clínica médica, cirurgia geral, ortopedia e traumatologia. No entanto, as áreas de pediatria, ginecologia e obstetrícia permanecerão temporariamente indisponíveis, conforme informações divulgadas nas redes sociais da instituição. Essa restrição reflete o esforço do hospital em priorizar a reorganização de suas operações enquanto enfrenta dificuldades financeiras.
Com 58 anos de história, o Hospital Belo Horizonte enfrenta uma grave crise econômica que culminou na solicitação de recuperação judicial pelo grupo responsável pela administração, o Grupo Gestho. A situação financeira do hospital é agravada por dívidas que ultrapassam R$ 500 milhões, incluindo débitos trabalhistas, com fornecedores e tributos. Os documentos do processo, ao qual O TEMPO teve acesso, revelam que o hospital possui mais de 180 leitos e atende cerca de 8 mil pacientes por mês, sendo uma unidade de grande relevância para a região.
A suspensão dos atendimentos de pronto socorro foi uma das medidas adotadas em decorrência do cenário financeiro delicado, sob a justificativa de uma “reestruturação institucional” com o objetivo de aprimorar os serviços prestados. Além do pronto atendimento, a unidade mantém em funcionamento o Centro de Terapia Intensiva (CTI) adulto e infantil, o bloco cirúrgico e o ambulatório, áreas consideradas estratégicas para a operação do hospital.
O pedido de recuperação judicial foi protocolado pelo Grupo Gestho em 20 de novembro de 2024 e deferido pela Justiça em 19 de fevereiro de 2025. Com essa decisão, foi instaurado o chamado “stay period”, uma fase na qual ações de cobrança e execuções contra a empresa ficam suspensas, permitindo a reorganização financeira da instituição. A proposta de pagamento apresentada aos credores prevê o pagamento de aproximadamente R$ 100 milhões em dívidas ao longo de 12 anos, com uma carência de três anos para início dos pagamentos. Essa dívida inclui valores trabalhistas e débitos com empresas de serviços, como alimentação e limpeza.
Além disso, o grupo possui mais de R$ 400 milhões em débitos tributários junto à União, montante que não está sujeito à recuperação judicial e deverá ser tratado em outro regime, com possibilidades de parcelamento ou redução conforme as regras fiscais vigentes. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu que a execução dessas dívidas não deve interromper as atividades do hospital, reconhecendo sua importância para a região.
O hospital também mantém contrato com o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg), firmado em 28 de maio de 2025, com validade de cinco anos. Desde 2 de junho de 2025, a unidade presta atendimento a servidores públicos vinculados ao instituto, incluindo consultas ambulatoriais, exames de imagem, internações e pronto atendimento adulto, em um contrato avaliado em cerca de R$ 304,9 milhões. Essa parceria representa uma importante fonte de receita e estabilidade para a instituição, enquanto ela busca se recuperar financeiramente e retomar suas atividades de forma plena.








