Na manhã desta sexta-feira, uma aeronave monomotor caiu no pátio de manutenção da Estação São Gabriel, localizada na região Nordeste de Belo Horizonte, resultando na morte do piloto, que morreu carbonizado. O profissional, identificado como Daniel de Souza da Silva Salomão, de 31 anos, natural de Cachoeira, na Bahia, tinha origem na cidade a aproximadamente 110 km de Salvador. A aeronave, um modelo EMB-711ST Corisco, de matrícula PT-VHE, pertence à Bello Fruit, uma empresa atuante no setor do agronegócio na região de Mucuri, no interior do estado da Bahia.
A empresa responsável pelo avião emitiu uma nota oficial lamentando a perda do piloto e transmitindo condolências aos familiares, amigos e colegas de Salomão. Em seu comunicado, a Bello Fruit também destacou o reconhecimento pelo trabalho diligente do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e demais equipes de emergência que atuaram no local do acidente. A companhia reforçou ainda que as circunstâncias do ocorrido estão sendo apuradas pelas autoridades competentes, incluindo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) e a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
A empresa declarou sua total disposição em colaborar com as investigações, disponibilizando documentos e informações necessárias para esclarecer as causas do acidente, de forma transparente e integral. A nota também ressaltou que, por respeito à memória do piloto, às famílias envolvidas e ao trabalho técnico das autoridades, não se manifestará publicamente sobre as possíveis causas até a conclusão dos procedimentos investigativos.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros, o avião teria partido do Aeroporto da Pampulha, de onde saiu cerca de um quilômetro antes do local do acidente. Testemunhas relataram que a aeronave foi vista voando em baixa altitude na região, quando foram ouvidos estouros, seguidos por uma fumaça intensa. Em instantes, o monomotor caiu atrás da estação São Gabriel, no pátio de manutenção, atingindo um galpão da Metrô BH e um poste de rede elétrica. Um vídeo divulgado posteriormente mostra o avião em chamas sobre a linha do metrô, com o piloto, único ocupante, morrendo carbonizado.
Ainda não há confirmação de tentativa de pouso forçado por parte do piloto. Trabalhadores do metrô relataram que, no momento do acidente, ouviram um barulho alto de explosão e perceberam a fumaça e o impacto. Um funcionário que estava próximo ao local afirmou que, antes do acidente, pensou tratar-se de alguma queda na rede aérea, mas logo percebeu a gravidade da situação ao receber a ligação de um colega alertando sobre a queda do avião.
O monomotor, fabricado em 1988 pela Neiva, modelo Emb-711ST conhecido como P28T Corisco Turbo, tinha como destino Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A aeronave, que tinha capacidade para quatro pessoas, incluindo o piloto, tinha seu Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) renovado horas antes do acidente, pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com validade até 9 de outubro de 2027. O documento atesta que a aeronave estava apta para voar, após inspeções e manutenções regulares, realizadas de acordo com as normas da agência reguladora.
Especialistas explicaram que o CVA é uma inspeção que verifica a conformidade da aeronave, incluindo manutenção, programas de revisões e cumprimento de diretrizes técnicas. O fato de a aeronave ter recebido a certificação horas antes do acidente indica que, até então, ela estava considerada apta para operação, embora as causas da queda ainda estejam sendo investigadas.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) iniciou as apurações, com o tenente-coronel Pedro Nolasco destacando que as primeiras evidências estão sendo coletadas no local. A aeronave, registrada no nome de uma empresa de importação e exportação de frutas adquirida em setembro de 2020, tinha passado por inspeções regulares e estava em condições de voo. As investigações visam determinar as razões que levaram à tragédia, com os resultados sendo divulgados posteriormente no portal oficial do órgão.
O acidente não afetou a operação do metrô de Belo Horizonte, que evacuou cerca de 400 trabalhadores do local. A aeronave, que tinha como destino Juatuba, foi usada para transporte de órgãos anteriormente, segundo informações do Corpo de Bombeiros. As autoridades continuam trabalhando para esclarecer as circunstâncias do acidente, que resultou na morte do piloto, cuja identidade foi confirmada nesta manhã.









