A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) confirmou, por meio de nota enviada à Agência Itatiaia nesta terça-feira, 6 de outubro, que houve diálogo prévio com os ambulantes que atuam na entrada do Parque Guanabara, localizado na Região da Pampulha, antes da retirada de seus carrinhos de comércio ocorrida na segunda-feira, 5 de outubro. A administração municipal esclarece que todos os comerciantes foram devidamente avisados com antecedência sobre a necessidade de realocação dos seus equipamentos devido a uma obra de grande porte na Avenida Expedicionário Benvindo Belém de Lima e vias adjacentes, que inclui a implantação de um rebaixamento de calçada destinado a melhorar a acessibilidade para pessoas com deficiência (PCD).
Segundo a nota, a intervenção é considerada de extrema importância para a mobilidade na região, uma vez que a obra visa garantir maior acessibilidade ao rebaixar a calçada na área, impedindo, assim, a permanência dos carrinhos no local. A PBH afirmou ainda que se colocou à disposição para discutir alternativas de realocação dos ambulantes, mas, apesar das tratativas, alguns comerciantes não retiraram seus equipamentos voluntariamente, o que levou a uma ação fiscal por parte da Secretaria Municipal de Segurança Urbana. Essa operação resultou na recolha dos carrinhos e mobiliários, que foram encaminhados a um depósito municipal. Os proprietários podem solicitar a devolução dos seus bens no prazo de 30 dias, mediante comprovação de propriedade e pagamento de uma tarifa referente ao período de armazenamento.
A presidente da Associação dos Ambulantes da Porta do Parque Guanabara, Linda Pires, criticou a forma como a retirada foi conduzida, afirmando que os comerciantes não entenderam a motivação da ação e alegando que não foram formalmente notificados previamente. Ela relembrou uma reunião realizada em 8 de setembro com representantes do poder público, na qual foi discutida a permanência dos carrinhos na calçada. Segundo ela, ficou acordado que os ambulantes poderiam permanecer provisoriamente na rua em frente ao parque, na área de estacionamento, até que a calçada fosse ampliada e adequada para receber os carrinhos, previsão que, de acordo com a presidente, era para acontecer até dezembro daquele ano.
Linda Pires afirmou que, na ocasião, foi garantido que a permanência seria temporária, enquanto as obras de adequação fossem realizadas, e que todos os sete carrinhos removidos possuíam licença regular. Ela também destacou que, na data da retirada, alguns dos carrinhos tiveram seus instrumentos de trabalho e o sustento de famílias que atuam na porta do Parque Guanabara por mais de 50 anos destruídos ou danificados. Além disso, ela relatou que os comerciantes terão que pagar cerca de R$ 2 mil por cada carrinho para recuperá-los, alegando que a ação foi marcada por falta de respeito e tratamento inadequado por parte dos agentes responsáveis.
Por fim, Linda Pires destacou que a retirada ocorreu em um período de alta movimentação no parque, próximo ao Dia das Crianças, o que agravou o impacto para os ambulantes e suas famílias. A situação revela um conflito entre a necessidade de melhorias na mobilidade urbana e a preocupação dos comerciantes tradicionais, que alegam não ter sido devidamente informados ou respeitados na execução da ação.








