Lideranças da Vila Acaba Mundo, bairro localizado na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, estão organizando um protesto contra a empresa de transporte Estrela Guia, envolvida no acidente que resultou na morte de dez pessoas na BR-040, na madrugada do último domingo (16). A manifestação está marcada para as 10h deste sábado (22), em frente à Prefeitura de Belo Horizonte, e tem como objetivo cobrar respostas, esclarecimentos e responsabilizações relativas ao trágico episódio.
O acidente ocorreu na rodovia federal BR-040, em Petrópolis, e envolveu um ônibus de turismo que tombou, causando a morte de quatro moradores da própria Vila Acaba Mundo. Segundo informações disponíveis, o veículo não possuía autorização para realizar transporte interestadual de passageiros, configurando-se, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), como transporte clandestino. A entidade destacou que o ônibus não estava habilitado para esse tipo de serviço, o que levanta questionamentos sobre as condições de fiscalização e regulamentação do transporte de passageiros realizado pela empresa.
A comunidade local manifestou sua insatisfação e dor por meio de um comunicado divulgado nesta semana, no qual afirma que, até o momento, a empresa apenas providenciou a retirada dos corpos das vítimas, sem estabelecer contato ou fornecer qualquer tipo de informação às famílias afetadas. O texto ressalta a gravidade da situação, destacando que as vítimas incluem mães que perderam seus filhos, filhos que ficaram sem suas mães, além de famílias completamente destruídas emocionalmente. Ainda segundo a comunidade, há sobreviventes hospitalizados que, por um período, estarão impossibilitados de trabalhar, agravando ainda mais o impacto social e econômico do acidente.
A denúncia reforça a sensação de abandono por parte da empresa, que, além de não se posicionar oficialmente, não oferece suporte às famílias nem esclarecimentos sobre as providências futuras. A mobilização visa, sobretudo, exigir transparência, apoio às vítimas e responsabilização pelos danos causados.
Relatos de sobreviventes indicam que o motorista do veículo teria acelerado excessivamente durante a viagem e ignorado pedidos feitos pelos passageiros para diminuir a velocidade. Essas informações reforçam a suspeita de negligência ou imprudência por parte da condução, o que pode estar relacionado às circunstâncias do acidente.
Na segunda-feira (17), a defesa da Estrela Guia declarou que não fará novas manifestações públicas sobre o caso. A empresa afirmou que eventuais esclarecimentos serão apresentados nos autos dos processos judiciais em andamento. Anteriormente, a companhia divulgou uma nota de pesar e apoio às vítimas, afirmando estar colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação e adotando todas as providências necessárias para prestar assistência às famílias afetadas, aos sobreviventes e às vítimas do acidente.
Este episódio traz à tona a discussão sobre a fiscalização do transporte clandestino e a responsabilidade das empresas envolvidas em acidentes dessa natureza, ressaltando a necessidade de maior rigor na fiscalização e na proteção dos direitos dos passageiros e das famílias afetadas.








