A comunidade escolar da Escola Estadual Coronel Juca Pinto, situada no bairro Universitário, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, realizou nesta sexta-feira (28) uma manifestação contra a decisão do Governo de Minas Gerais de encerrar as atividades da unidade. A ação, que contou com a participação de pais, alunos e moradores locais, teve como objetivo expressar o descontentamento diante do fechamento da escola, que será substituída por uma unidade do Colégio Tiradentes, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
A manifestação teve início em frente à própria escola, localizada na Avenida Professor Mário Werneck, e posteriormente seguiu em direção ao Anel Rodoviário, uma das principais vias de acesso à cidade. Durante o protesto, os manifestantes fecharam parcialmente uma das pistas do anel, causando interrupções no trânsito na região. A mobilização ocorreu ao longo da manhã e parte da tarde, buscando chamar a atenção das autoridades para o impacto que o fechamento da escola pode causar à comunidade local.
Segundo Sandra de Oliveira Nogueira, especialista em educação básica e representante da comunidade escolar, a principal preocupação dos moradores é com o destino dos estudantes após o encerramento das atividades na Escola Coronel Juca Pinto. Ela destacou que há uma grande apreensão quanto ao remanejamento dos alunos para outras instituições de ensino, uma vez que a escola atualmente atende a uma demanda significativa na região e possui uma história de mais de décadas de atuação na formação de jovens do bairro Universitário e adjacências. A comunidade teme que a transferência para outras unidades possa prejudicar o acesso à educação de qualidade e aumentar o deslocamento dos estudantes, além de afetar a rotina de famílias que dependem da proximidade da escola.
A decisão do Governo de Minas de transformar a escola em uma unidade do Colégio Tiradentes, da Polícia Militar, foi anunciada oficialmente há algumas semanas, como parte de uma estratégia de expansão do ensino militarizado na rede pública estadual. Contudo, a medida tem gerado controvérsia e resistência por parte da comunidade local, que alega não ter sido consultada previamente. A instalação do colégio da PMMG visa atender a uma demanda por ensino de qualidade e por uma formação cívico-militar, mas também levanta debates sobre o impacto social e pedagógico dessa mudança.
A Secretaria de Educação de Minas Gerais foi procurada pela reportagem da Itatiaia para comentar o protesto e fornecer detalhes adicionais sobre o fechamento da escola e a implementação do colégio da Polícia Militar. Até o momento, a pasta não respondeu oficialmente, mas confirmou que o espaço permanece disponível para esclarecimentos. A comunidade aguarda uma posição oficial do governo e continua mobilizada na tentativa de reverter a decisão ou de garantir que os direitos dos estudantes sejam respeitados durante o processo de transição.
Este episódio reflete uma tensão existente em várias regiões do estado, onde decisões de reorganização escolar têm causado debates sobre o futuro da educação pública e o envolvimento da comunidade nas mudanças que afetam diretamente a vida de estudantes, pais e moradores.









