Após sete anos, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais encerrou as buscas por vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, que completou 2.558 dias de operação neste domingo (25). Dois desaparecidos seguem não localizados: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo.
Ao longo desse período, mais de 5 mil militares atuaram na operação, que examinou a totalidade dos cerca de 11 milhões de metros cúbicos de rejeitos despejados pela tragédia. A vistoria integral foi concluída em 23 de dezembro de 2025.
A operação mobilizou 31 aeronaves – com mais de 1.600 horas de voo –, 68 cães farejadores, 120 máquinas e contou com o apoio de corporações de outros estados. A lama percorreu aproximadamente 290 hectares, atingindo instalações da mineradora, propriedades, plantações e o Rio Paraopeba.
As estratégias de busca evoluíram desde o resgate inicial de sobreviventes até a implantação de estações de “peneiramento” para separar rejeitos de possíveis fragmentos humanos e objetos.
Embora as buscas ativas tenham sido finalizadas, os trabalhos de identificação prosseguem na Polícia Civil, que analisa segmentos humanos encontrados e ainda não identificados. A última vítima a ser localizada e identificada foi Maria de Lurdes da Costa Bueno, de 59 anos, em fevereiro de 2025. Ao todo, 268 corpos foram recuperados.
Os equipamentos utilizados no local devem ser recolhidos até a primeira quinzena de fevereiro.
Situação na Justiça após sete anos da tragédia de Brumadinho
Sete anos inteiros do episódio, abre-se possibilidade de que 15 pessoas respondam pelo acidente na Justiça. Dia 23 de fevereiro começam as audiências de instrução na 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte. Até maio de 2027, vítimas não letais, testemunhas e réus serão ouvidos.
Ao final do extenso prazo de audiências, a juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima poderá decidir levar o caso para julgamento em júri popular. Quinze pessoas poderão ser responsabilizadas criminalmente. Onze são ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale, privatizada em 1997, e quatro são empregados da TÜV SÜD, empresa multinacional de capital alemão, contratada para monitorar e atestar a qualidade da barragem que rompeu.
A Vale diz que não comenta a ação contra a empresa que está em tramitação judicial, mas enumerou as ações de reparação que estão sendo feitas na região. A empresa destaca que “avança na reparação dos impactos do rompimento em Brumadinho, com a execução econômica, até dezembro de 2025, de 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral e com investimentos que vão além das indenizações”. As ações incluem a recuperação socioambiental, a garantia de abastecimento hídrico e iniciativas para diversificação econômica da região. A empresa diz ainda que, paralelamente, investe na segurança de suas barragens.








