Nos primeiros seis meses de 2026, os acidentes envolvendo ônibus e micro-ônibus nas rodovias federais de Minas Gerais apresentaram um aumento expressivo de 43,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Enquanto o número total de sinistros registrados na malha federal do estado diminuiu 6,47%, passando de 38.392 ocorrências no primeiro semestre de 2025 para 35.907 em 2026, os acidentes específicos com transporte coletivo de passageiros cresceram significativamente, refletindo uma tendência preocupante.
Durante esse período, foram registrados 3.749 acidentes envolvendo transporte coletivo, contra 2.617 no mesmo período de 2025. Além do aumento no número de acidentes, houve uma elevação de 71,6% no total de feridos decorrentes dessas ocorrências, passando de 868 para 1.490 vítimas. Esses dados ressaltam uma trajetória negativa para a segurança no transporte coletivo nas rodovias federais, mesmo em um contexto geral de redução de acidentes na malha rodoviária do estado.
Na BR-040, uma das principais rodovias federais que atravessam Minas Gerais, essa discrepância se evidencia ainda mais. Enquanto o total de sinistros na via caiu 21,7%, de 7.994 ocorrências no primeiro semestre de 2025 para 6.257 em 2026, os acidentes envolvendo ônibus e micro-ônibus aumentaram de 142 para 208, representando uma alta de 46,47%. Além disso, o número de feridos nesse tipo de acidente quase triplicou, de 19 para 55 vítimas, demonstrando o agravamento na gravidade das ocorrências.
Apesar do aumento no número de acidentes e feridos, não houve registro de mortes em acidentes envolvendo transporte coletivo na BR-040 durante o primeiro semestre de 2026. Em igual período de 2025, oito pessoas perderam a vida em ocorrências dessa natureza na mesma rodovia. No balanço anual de 2025, a BR-040 registrou 735 acidentes envolvendo transporte coletivo, com 20 mortes, 320 feridos e 44 vítimas em estado grave, reforçando a gravidade do problema.
O acidente mais recente ocorreu na madrugada desta segunda-feira, dia 24 de agosto, por volta das 5h, no km 491 da BR-040, na cidade de Capim Branco, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Um ônibus, que saiu de Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, com destino à capital mineira, colidiu frontalmente com um caminhão. Segundo informações preliminares da PRF, o caminhão teria invadido a contramão, o que resultou na colisão que provocou o incêndio de ambos os veículos, destruindo-os completamente. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram as chamas após o impacto, enquanto o Corpo de Bombeiros confirmou a recuperação de dois corpos carbonizados, sendo um homem no caminhão e uma mulher passageira do ônibus.
Além das vítimas fatais, 23 pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para unidades de saúde em Sete Lagoas e Contagem, regiões próximas ao acidente. Os motoristas dos veículos também receberam atendimento hospitalar, embora o estado de saúde das vítimas não tenha sido divulgado até o momento. A concessionária Via Cristais, responsável pela administração do trecho, informou que o acidente ocorreu no sentido Belo Horizonte, ocasionando a interdição temporária dos dois sentidos da via e causando congestionamento de aproximadamente 10 quilômetros no sentido capital. O tráfego foi parcialmente liberado por volta das 7h, mesmo com a persistente lentidão.
A Viação Pássaro Verde, empresa responsável pelo ônibus, declarou que a viagem fazia a linha Minas Novas–Belo Horizonte, com saída às 20h30 do dia anterior, transportando 27 passageiros. A companhia informou ainda que o coletivo foi atingido pelo caminhão nas proximidades do Condomínio Sete Lagos, na altura do km 491, entre Esmeraldas e Capim Branco, a cerca de 40 quilômetros de Belo Horizonte. A empresa afirmou estar acompanhando a situação, prestando suporte às vítimas e às famílias, e aguardando informações oficiais sobre o estado de saúde dos passageiros.
Os dados revelam uma preocupação crescente com a segurança do transporte coletivo nas rodovias federais de Minas Gerais, especialmente na BR-040, onde, apesar de redução geral de acidentes, os registros envolvendo ônibus e micro-ônibus continuam a apresentar alta significativa. A tendência reforça a necessidade de ações específicas para mitigar os riscos e evitar novas tragédias nas estradas do estado.






