Uma menina de 9 anos, residente em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, passou por uma situação de emergência após permanecer por mais de quatro horas com risos incontroláveis e involuntários. O episódio, que inicialmente parecia uma brincadeira, levou a família a buscar atendimento médico de emergência, resultando na suspeita de uma condição neurológica rara conhecida como epilepsia gelástica, relacionada a um hamartoma hipotalâmico.
Segundo relato da mãe, Alinne Barbosa, o episódio teve início enquanto estavam em casa, no dia que ela descreve como uma manhã comum. A criança, Eduarda, começou a sorrir de forma contínua, inicialmente interpretada como uma brincadeira. “Perguntei se ela tinha visto alguma coisa engraçada, até comecei a rir junto com ela. Mas, após cerca de trinta minutos, percebi que as gargalhadas não paravam”, detalha. Ao notar que o sorriso persistia e que Duda não conseguia interrompê-lo, a mãe tentou fazer a filha parar, mas sem sucesso. A criança também apresentava dificuldade para falar, apenas gesticulando e mantendo o sorriso, além de apresentar pupilas dilatadas e lábios secos, sinais que alertaram a mãe para a necessidade de procurar atendimento médico.
Durante o trajeto até o Hospital Municipal de Contagem, Duda permaneceu em estado de risos contínuos, que duraram mais de duas horas e meia, totalizando mais de quatro horas de crise. No hospital, uma equipe médica identificou a possibilidade de uma crise gelástica, uma forma rara de epilepsia que provoca risadas involuntárias e contínuas, além de outros sintomas neurológicos. A criança foi submetida a exames, incluindo uma tomografia, que não revelou alterações estruturais, mas a suspeita de epilepsia gelástica permaneceu. O diagnóstico definitivo será confirmado após avaliação com neurologista especializado.
A epilepsia gelástica é uma condição neurológica causada por hamartomas no hipotálamo, uma região do cérebro responsável por diversas funções corporais. Essas crises, que podem ocorrer várias vezes ao dia, geralmente são breves, mas podem se manifestar por risos descontrolados, movimentos involuntários, dificuldades na fala, perda de consciência e sensação de desconforto antes do episódio. Apesar de o riso parecer uma manifestação saudável, ele pode indicar uma condição séria que requer acompanhamento médico especializado.
O neurocirurgião Sérgio Cançado explica que, na maioria dos casos, o tratamento envolve medicação, embora alguns episódios possam ser resistentes a medicamentos. Quando isso ocorre, a cirurgia pode ser considerada, apresentando uma taxa de controle superior a 70%. O especialista reforça a importância de procurar assistência médica imediatamente ao notar sinais semelhantes aos apresentados por Duda, para uma avaliação adequada e início do tratamento, se necessário.
No caso de Duda, após exames e observação, os médicos concluíram que ela não apresenta sinais de epilepsia recorrente, já que não houve uma segunda crise e outros sintomas não foram identificados. A criança recebeu alta sem medicação e permanece sob acompanhamento médico. A suspeita é de que o episódio possa ter sido desencadeado por fatores emocionais, como ansiedade ou estresse, que ela não conseguiu expressar adequadamente.
A mãe de Duda, Alinne Barbosa, relatou que a menina está bem após o episódio e que, desde então, ela tem se recuperado sem novos incidentes. Como forma de conscientização, ela publicou um vídeo nas redes sociais contando a experiência, que já acumula mais de sete milhões de visualizações, alertando outros pais para sinais que possam indicar crises semelhantes. Ela também comentou que, após o susto, a rotina da família voltou ao normal, com as irmãs de Duda brincando e tentando fazer a menina sorrir, reforçando a ideia de que a criança pode retomar suas atividades habituais sem restrições.
Este caso evidencia a importância do reconhecimento precoce de sinais neurológicos incomuns em crianças e reforça a necessidade de acompanhamento médico especializado para diagnóstico e tratamento adequados. A condição rara, embora pouco comum, pode ter desfechos positivos quando diagnosticada e tratada de forma adequada, prevenindo complicações futuras.








