Um incidente violento ocorreu no Presídio Regional de Montes Claros, localizado no Norte de Minas Gerais, a aproximadamente 425 quilômetros de Belo Horizonte. Um detento de 45 anos, identificado como Reginaldo Ribeiro Cerdeira, foi responsável pela morte de um colega de cela, Warley Cardoso de Jesus, de 40 anos, confessando o crime às autoridades. O episódio aconteceu em uma cela do pavilhão destinado à população LGBTQIA+, onde o detento e a vítima estavam presos juntos.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelas forças de segurança, Warley foi inicialmente imobilizado por Reginaldo com um golpe conhecido como “mata-leão”. Posteriormente, o agressor utilizou um objeto cortante artesanal, popularmente chamado de “chuço”, para atingir diversas vezes o pescoço da vítima. Após o homicídio, Reginaldo confessou ter mutilado o órgão genital de Warley, cortando-o com uma lâmina de barbear, que posteriormente foi descartada no vaso sanitário, e jogou a peça no corredor da unidade prisional.
Segundo relato do próprio suspeito às autoridades, o motivo do crime estaria relacionado a uma suposta violência sexual. Reginaldo afirmou que Warley teria dopado com medicamentos uma mulher trans que também estava na mesma cela, sua companheira, e se aproveitado da vulnerabilidade dela para cometer abuso sexual. A versão apresentada por Reginaldo será apurada durante as investigações, que buscam esclarecer as circunstâncias exatas do ocorrido. A polícia também investiga a veracidade da alegação de abuso sexual e possíveis motivações adicionais para o ato violento.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas, ao chegar ao local, constatou que Warley já estava morto. A perícia da Polícia Civil esteve no presídio para recolher a arma artesanal utilizada no crime e coletar provas. O corpo da vítima foi encaminhado ao Posto Médico-Legal para realização de exames necroscópicos, que irão contribuir para o esclarecimento completo do caso.
A prisão de Reginaldo foi ratificada por homicídio qualificado, e a Polícia Civil iniciou uma investigação aprofundada para entender as motivações e as circunstâncias do crime. Além disso, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) anunciou que a direção do presídio instaurou uma apuração interna para apurar eventuais falhas e garantir a segurança na unidade.
Reginaldo possui antecedentes criminais, com quatro passagens pelo sistema prisional desde novembro de 2017. De acordo com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ele tem condenações por furto qualificado e roubo, somando penas que ultrapassam 30 anos de prisão, das quais 12 já foram cumpridas. Warley, por sua vez, havia sido admitido na unidade prisional em 1º de abril do ano passado, acumulando sete passagens anteriores pelo sistema desde dezembro de 2009.
O caso evidencia a complexidade e a gravidade da violência ocorrida dentro do sistema penitenciário, além de levantar questões sobre a segurança e o tratamento de presos, especialmente em unidades destinadas a populações específicas. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do ocorrido e determinar possíveis responsabilidades adicionais.








