Na sexta-feira, 9 de outubro, Minas Gerais registrou dois acidentes aéreos ocorridos em um intervalo de aproximadamente cinco horas, resultando na morte de seis pessoas. O primeiro incidente envolveu a queda de um monomotor em um pátio de manutenção do sistema metroviário de Belo Horizonte, enquanto o segundo ocorreu com uma aeronave da Polícia Militar na região do Vale do Aço, próximo ao aeroporto de Ipatinga. Ambos os acidentes tiveram consequências trágicas, com as vítimas identificadas como um piloto civil e três militares da corporação.
O acidente matinal aconteceu pouco mais de dois minutos após a decolagem do monomotor, que saiu do Aeroporto da Pampulha com destino a Juatuba. A aeronave caiu em um pátio de manutenção do metrô, localizado no bairro São Gabriel, na capital mineira. Segundo informações da Força Aérea Brasileira (FAB), o avião tinha sido adquirido em 2020 e possuía capacidade para transportar três passageiros além do piloto. A aeronave apresentava documentação regular junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), com o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido até o dia do acidente. Contudo, o monomotor não tinha autorização para operações de táxi aéreo, voos comerciais, aulas de pilotagem ou voos especializados. A queda resultou na morte do único ocupante, que foi carbonizado no impacto, e a identidade do piloto ainda não foi divulgada.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a aeronave partiu do Aeroporto da Pampulha pela manhã e tinha como destino Juatuba, com previsão de retorno à capital mineira ainda na mesma manhã. O acidente ocorreu quando a aeronave atingiu um galpão utilizado como oficina de manutenção de veículos ferroviários pela concessionária responsável pelo sistema metroviário de Belo Horizonte. A companhia Metro BH emitiu nota lamentando a morte do piloto e esclarecendo que o incidente não afetou o funcionamento do transporte coletivo metroviário, além de informar que nenhum funcionário do sistema sofreu ferimentos. As investigações preliminares indicam que o avião permaneceu no ar por cerca de dois minutos antes de atingir o pátio de manutenção. A Polícia Militar encaminhou o corpo do piloto ao Instituto Médico Legal (IML) para procedimentos de identificação, enquanto o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apura as causas do acidente.
Na parte da tarde, às 16h, um novo acidente aéreo ocorreu na região do Vale do Aço, mais precisamente nas proximidades do Aeroporto Regional de Ipatinga, no distrito industrial de Santana do Paraíso. Uma aeronave da Polícia Militar, do modelo King Air B300, identificado como Pégasus 17, caiu logo após decolar do aeroporto de Belo Horizonte. O avião, que tinha capacidade para até nove ocupantes, explodiu na queda, formando uma grande coluna de fumaça visível de longe. Segundo informações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a aeronave havia partido às 15h15, com objetivo de realizar um voo de cheque, uma rotina de avaliação das habilidades dos pilotos.
A aeronave caiu às margens do córrego Garrafinha, entre o muro do aeroporto e o loteamento Cidade Jardim. O acidente resultou na morte de três militares: o tenente-coronel Luis Fernando Silvestre, de 49 anos, que pilotava a aeronave, e as tenentes Gabriela Emília Soares Lacerda Resende, de 35 anos, e Alice dos Santos Almeida, de 34 anos. O tenente-coronel Silvestre, natural de Belo Horizonte, era considerado um dos instrutores mais experientes da Polícia Militar, com mais de cinco mil horas de voo. Ele deixa esposa e três filhos. Gabriela Emília, que retornou recentemente de licença-maternidade, foi a primeira mulher da Polícia Militar de Minas Gerais a se tornar piloto de aeronaves de asa fixa do Comando de Aviação do Estado (ComAvE). Ela tinha aproximadamente 300 horas de voo e era natural de Belo Horizonte. A tenente Alice dos Santos Almeida, também com cerca de 300 horas de voo, era natural do Sul de Minas e tinha 34 anos.
A aeronave, um bimotor fabricado em 1986, tinha documentação válida até abril de 2027 e também era utilizada pelo comando de aviação da Polícia Militar para transporte de órgãos para transplantes, uma atividade que, em oito anos, transportou aproximadamente dois mil órgãos. O voo de cheque realizado na data do acidente tinha como objetivo avaliar as habilidades dos pilotos, procedimento comum nas operações de rotina da corporação. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 16h20 para atender à ocorrência, que aconteceu na altura do km 43 da BR-458.
As investigações sobre as causas do acidente na região do Vale do Aço estão a cargo do Cenipa, que deverá determinar os fatores que levaram à tragédia. A Polícia Militar de Minas Gerais lamentou profundamente a perda dos três oficiais e destacou a importância do trabalho de seus pilotos na missão de transporte de órgãos e na segurança pública.
Estes dois acidentes, ocorridos em um mesmo dia e em diferentes regiões de Minas Gerais, reforçam a complexidade e os riscos envolvidos na aviação, especialmente em operações de rotina e de treinamento. As autoridades continuam apurando as circunstâncias de cada incidente, buscando esclarecer os motivos que levaram às tragédias e prevenir futuros acidentes.








