Um eleitor cadeirante precisou da ajuda de duas pessoas para exercer seu direito de voto na manhã deste domingo, 4 de novembro, em Divinópolis, município localizado na região Centro-Oeste de Minas Gerais, a aproximadamente 120 quilômetros de Belo Horizonte. Donizete Aparecido da Silva, de 62 anos, relatou dificuldades relacionadas à acessibilidade na nova sala de votação, que foi alterada recentemente, dificultando sua entrada com a cadeira de rodas.
De acordo com Donizete, embora a escola onde vota atualmente possua rampas na entrada principal, facilitando o acesso de pessoas com deficiência, a entrada da sala de votação específica apresentava um degrau elevado que impedia sua passagem com a cadeira de rodas. “Eu tive dificuldade porque tive que chamar alguém para me levar até a mesa para poder votar. Não tinha como entrar com ela. O degrau é muito alto”, afirmou. Ele explicou que, na eleição anterior, votava em uma sala diferente, onde conseguiu chegar até a urna sem problemas, pois a entrada era acessível e permitia o uso da cadeira de rodas sem dificuldades.
Donizete também revelou que, na ocasião, não recebeu nenhuma orientação ou explicação sobre a mudança de sala. Segundo ele, ao procurar informações, recebeu orientações divergentes antes de ser direcionado à seção correta. “Eles não explicaram por que mudaram. Sempre voto na outra, e dava certinho para eu entrar com a cadeira”, relatou. Sua preocupação não se limita ao próprio voto, mas também à situação de seu irmão, que é cadeirante e utiliza uma cadeira elétrica. Donizete afirmou que o irmão enfrenta dificuldades ainda maiores de locomoção e que, provavelmente, precisará de ajuda para votar, incluindo o transporte até a urna, já que a acessibilidade na nova sala não atende às suas necessidades.
Ele destacou que a situação representa um problema mais amplo, que deve ser resolvido não apenas por sua situação particular, mas para garantir que outros eleitores com deficiência possam votar com autonomia e segurança. “Isso podia corrigir, né? Porque todas as vezes que nós precisarmos vir aqui votar, como vai fazer? É difícil. Isso não é só para mim, é para outras pessoas também”, afirmou.
A reportagem entrou em contato com o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) para obter informações sobre os motivos da mudança de sala e quais medidas estão sendo adotadas para assegurar a acessibilidade nos locais de votação. O órgão ainda não respondeu até o momento. A situação de Donizete evidencia a importância de garantir acessibilidade plena nos locais de votação, uma questão que demanda atenção contínua por parte das autoridades eleitorais, especialmente em relação às adequações físicas e à comunicação com eleitores com deficiência.









