Uma empreendedora do bairro Taquaril, na região Leste de Belo Horizonte, transformou sua rotina e sua realidade financeira ao adotar uma gestão mais estruturada para seu negócio de moda feminina. Rose Abreu, de 37 anos, que há cerca de seis anos atua no comércio de roupas na comunidade, relata que, após anos de administração baseada na intuição e em anotações manuais, passou a utilizar planilhas e controle de estoque, o que melhorou significativamente sua operação e resultados financeiros.
Rose costuma viajar mensalmente para São Paulo, uma rota de mais de 500 km, para selecionar pessoalmente as roupas que serão vendidas na sua loja localizada na própria comunidade. Apesar do avanço do comércio eletrônico e das compras virtuais, ela reforça a importância do contato presencial na hora de escolher as peças, destacando que o olhar humano é indispensável para manter a identidade do seu negócio e atender ao perfil de sua clientela, composta principalmente por moradores do bairro.
A loja, que completou quatro anos de funcionamento na rua, inicialmente começou sem endereço físico, operando apenas com uma página nas redes sociais, etiquetas, sacolas e vendas por telefone. Com o crescimento, ela estabeleceu uma loja física, atendendo uma população de aproximadamente 14 mil habitantes na comunidade, de acordo com dados do IBGE. Cerca de 60% de seus clientes são moradores do Taquaril, uma escolha que reflete uma estratégia de fortalecimento do comércio local, visando estimular o fluxo de capital dentro do próprio bairro.
Rose é responsável por diversas tarefas do negócio, incluindo compras, vendas, controle financeiro, montagem de vitrines, atendimento via WhatsApp, gestão de redes sociais e até mesmo a produção de fotos das peças, atuando como modelo. Apesar de contar com uma funcionária, ela mantém o controle direto das decisões mais estratégicas, reforçando sua autonomia na administração do empreendimento.
Apesar de não possuir formação formal em administração, Rose adquiriu conhecimentos práticos ao longo dos anos, aprendendo a calcular custos, reposição de estoque e logística, inicialmente por experiência própria e, posteriormente, por meio de cursos e erros. Essa evolução permitiu que ela passasse a tomar decisões mais embasadas, utilizando dados concretos para identificar os produtos mais vendidos, otimizar compras e planejar ações de marketing.
A sua trajetória exemplifica a importância de fortalecer o comércio local e de adotar ferramentas de gestão para ampliar o impacto do pequeno negócio. Segundo João Luiz Moser, presidente do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina (CRA-SC), negócios que investem na gestão baseada em informações tendem a gerar um ciclo econômico mais sustentável, com maior circulação de recursos dentro da própria comunidade.
Rose também atua como articuladora social na região, incentivando o empreendedorismo feminino e a troca de conhecimentos entre mulheres da comunidade. Ela compartilha fornecedores, indica serviços locais e já se comprometeu a levar outras mulheres às compras em São Paulo, reforçando seu compromisso com a valorização do comércio e do desenvolvimento regional.
Dados de uma pesquisa do Sebrae Minas, divulgada recentemente, apontam que nove em cada dez donos de negócios em comunidades de Minas Gerais trabalham dentro de suas próprias áreas, e que aproximadamente 90% desses empreendimentos respondem por pelo menos metade da renda familiar. A maioria dessas pequenas empresas é gerenciada de forma informal, com decisões concentradas no próprio empreendedor, situação semelhante à de Rose.
A presença feminina no comércio de Minas Gerais também é significativa, especialmente entre as mulheres negras, que representam 75% dos empreendedores dessas comunidades, muitas delas mães e com idades entre 30 e 45 anos. O setor de vestuário e acessórios lidera as atividades femininas na região, com 15% de participação.
A evolução de Rose reflete uma tendência nacional de fortalecimento do empreendedorismo feminino e de pequenos negócios, impulsionada por políticas públicas, maior acesso às tecnologias e às redes sociais. Sua história demonstra que a adoção de práticas de gestão mais eficientes pode gerar melhorias concretas na qualidade de vida, permitindo maior autonomia e equilíbrio entre trabalho e vida familiar, sem perder as raízes comunitárias.
A experiência de Rose Abreu evidencia que, ao estruturar seu negócio de forma mais profissional, ela conseguiu ampliar seu impacto na comunidade, gerar mais renda e fortalecer o comércio local, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do bairro Taquaril.






