Familiares e amigos de João Lucas Ricardo de Jesus Rodrigues da Cruz, de 23 anos, realizam nesta quarta-feira (4/11) o velório e o sepultamento do motoboy que morreu durante o temporal que atingiu Belo Horizonte na noite de segunda-feira (2/11). O jovem foi surpreendido por uma enxurrada enquanto trabalhava com entregas e ficou preso à estrutura de um bueiro e a um amontoado de lixo. Para os parentes, o caso representa um acidente de trabalho e também expõe possíveis falhas do poder público e da plataforma de entregas.
O velório começou às 9h30, no Cemitério Bom Jesus, localizado no bairro Alvorada, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O enterro está marcado para as 11h30, no mesmo cemitério. Durante a despedida, familiares e amigos relembram a trajetória do jovem e tentam lidar, ao mesmo tempo, com a tristeza pela perda e com a revolta diante das circunstâncias da morte.
Segundo os familiares, João Lucas havia acabado de concluir uma entrega e seguia de motocicleta para casa quando sofreu o acidente. O caso aconteceu na rua Joaquim Corrêa Aquino, no bairro Camargos, na Região Oeste de Belo Horizonte. Uma das rodas da moto ficou presa na tampa de um bueiro de concreto durante a enxurrada.
Testemunhas que estavam no local tentaram ajudar o motoboy, mas ele permaneceu preso à estrutura e ao lixo acumulado. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, João Lucas já não apresentava sinais vitais. A morte ocorreu em meio ao temporal registrado na cidade na noite de segunda-feira.
Família aponta responsabilidade do poder público e da plataforma
Erick Heinrich, primo da vítima, afirma que o episódio deve ser tratado como um acidente de trabalho. Ele também questiona a atuação da Prefeitura de Belo Horizonte e da empresa responsável pela plataforma de entregas utilizada por João Lucas.
De acordo com o familiar, a Defesa Civil municipal havia emitido diversos alertas sobre a possibilidade de temporais e enchentes. Mesmo diante dos avisos, a plataforma teria aumentado a taxa repassada aos entregadores, em vez de interromper o funcionamento do aplicativo ou impedir que os trabalhadores circulassem durante o período de risco.
“Acho válido também trazer a responsabilidade com as empresas de entrega que, em um momento de avisos climático, também foi negligente e conivente com a situação por não bloquear o aplicativo. Fora as condições da prefeitura, da rua, das negligências do Estado. E em um momento como esse quem vai ser responsável pelo o que aconteceu? Para a gente, como família, a sensação é que ele foi assassinado”, afirmou Erick.
Pedro de Jesus Rodrigues, tio de João Lucas, contou que o jovem ajudou a criar os irmãos e assumiu responsabilidades familiares depois que a mãe morreu durante a pandemia da Covid-19. Segundo ele, João também dividia com outros parentes os cuidados com a avó.
“Ele comprou essa moto para trabalhar. Ontem ele tinha acabado de fazer uma entrega e estava voltando para casa quando aconteceu a fatalidade. Ele era um menino muito bom, trabalhador. Um jovem ainda promissor, que vai embora por conta dessa fatalidade e negligencia”, lamentou o tio.
Jovem havia começado a trabalhar com entregas
João Lucas deixou dois irmãos: uma mulher de 18 anos e um homem de 22. Conforme os familiares, ele já havia trabalhado como supervisor em um supermercado, mas foi desligado recentemente. Depois da demissão, passou a atuar como entregador e comprou a motocicleta para exercer a nova atividade.
A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte e a plataforma de entregas por aplicativo para que se manifestassem sobre as denúncias apresentadas pela família. Até o momento, nenhum dos procurados havia se posicionado.








