Um Fusca modelo 1974, conhecido como “Vovô Ciço” e que possui uma história de mais de cinco décadas na vida de uma família de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi furtado no último domingo, dia 4 de novembro, durante o período eleitoral. O veículo, que carregou memórias afetivas e desempenhou papel importante na rotina de gerações, desapareceu após ficar estacionado por cerca de 30 minutos na rua Norberto Mayer, no bairro Eldorado, e até o momento, familiares e amigos permanecem na busca por imagens de câmeras de segurança que possam indicar o trajeto do carro após o furto.
História e significado do Fusca na vida da família
O Fusca, de propriedade da família de Aruquia Castro há aproximadamente 50 anos, é mais do que um veículo antigo para seus proprietários. Conhecido carinhosamente como “Vovô Ciço”, o carro foi originalmente amarelo e ajudou a família a identificar o paradeiro do marido de Aruquia, Cícero, que trabalhou na Volkswagen em São Bernardo do Campo, São Paulo, antes de adquirir o veículo após deixar a fábrica. Para homenagear o pai, que faleceu há mais de 20 anos, a família adotou o apelido “Vovô Ciço” como uma forma de manter viva a memória dele.
O Fusca foi utilizado em diversas ocasiões marcantes na história da família, incluindo passeios, transporte de compras de uma mercearia mantida em Ouro Preto e deslocamentos durante as gestações de Aruquia e suas irmãs. Segundo ela, o veículo também foi fundamental na rotina diária, ajudando na sustentação financeira da família, já que ela utilizava o carro para entregas e trabalhos que garantiam o sustento de todos. A mudança na cor do carro, de amarelo para marrom, foi uma estratégia de Cícero para evitar que o veículo fosse facilmente reconhecido nas ruas de Ouro Preto, onde fazia parte do cotidiano familiar.
O valor afetivo e a esperança de recuperação
Após a morte de Cícero, o Fusca permaneceu como uma lembrança viva de sua presença na vida da família. Durante um período, o veículo ficou parado na Bahia, ainda com a placa de lá, até que Aruquia decidiu recuperá-lo, iniciando um processo de restauração com recursos próprios, muitos obtidos por meio de trabalhos temporários e vendas de doces. Mesmo com dificuldades financeiras e sendo mãe solo, ela dedicou-se a manter o carro em funcionamento, pois o considera uma herança de valor inestimável, não apenas pelo aspecto sentimental, mas também por sua utilidade na rotina de cuidados com o filho, que tem atrofia muscular espinhal (AME).
O desaparecimento do Fusca ocorreu no domingo de eleição, quando uma mulher estacionou o carro na rua Norberto Mayer para votar e, ao retornar, constatou que o veículo havia sido levado. O boletim de ocorrência foi registrado às 13h50, e o veículo, um VW/Fusca 1500, ano 1974, com placa JMV-2195, permanece desaparecido. Desde então, familiares e amigos têm buscado imagens de câmeras próximas para identificar o trajeto do carro, que foi visto passando por uma rua após o furto, de acordo com uma gravação obtida pela família.
A família de Aruquia expressa profunda tristeza e revolta com o ocorrido, reforçando que o Fusca representa uma parte significativa de sua história e de suas raízes familiares. Ela declarou que cada dia sem notícias aumenta a sensação de que não se trata apenas de um automóvel, mas de uma perda que ameaça a memória de gerações. Apesar do sentimento de angústia, a esperança de reencontrar o “Vovô Ciço” permanece viva, e Aruquia acredita que o responsável pelo furto poderá se arrepender e devolver o veículo, que para ela representa muito mais do que um bem material, mas uma herança afetiva que atravessou várias gerações da sua família.








