O homem suspeito de assassinar sua esposa, que estava grávida de três meses, iniciará nesta quarta-feira (19 de agosto) o processo de julgamento pelo Tribunal do Júri na cidade de Belo Horizonte. O réu, que responde por feminicídio, encontra-se detido desde o dia 15 de abril de 2025, quando foi preso em flagrante pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). O crime ocorreu na residência do casal, localizada no bairro Marcola, na região do Aglomerado da Serra, na zona Centro-Sul da capital mineira.
A vítima, Bruna Cristina Ferreira Crivellari Lopes, tinha 36 anos e foi atingida por pelo menos sete golpes de faca. Segundo relatos das autoridades, vizinhos ouviram gritos durante a madrugada, o que motivou a ação da polícia. Ao chegarem ao local, os militares encontraram o suspeito sentado no sofá, com a faca usada no crime ao seu lado, enquanto Bruna jazia caída em um dos quartos, já sem vida.
Durante o flagrante, o acusado confessou que as agressões ocorreram após uma discussão com a esposa. Ele afirmou que, na ocasião, esfaqueou Bruna após uma briga que teria começado na madrugada. O relacionamento entre o casal durou cerca de um ano, e eles tinham se casado três meses antes do homicídio. Investigações do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) indicam que o crime teria sido motivado por questões financeiras, além de apontar que a vítima sofria violência patrimonial e psicológica por parte do suspeito.
A repercussão do feminicídio na comunidade do Aglomerado da Serra foi de grande indignação. Moradores da Vila Marcola manifestaram tristeza e choque com o ocorrido. Um perfil ligado à comunidade prestou homenagens a Bruna, ressaltando sua trajetória de vida e a perda irreparável. A postagem também trouxe um tom de alerta às mulheres da região, reforçando a importância de denunciar situações de violência e de buscar apoio.
“Nenhuma palavra é suficiente diante de uma dor como essa […] A todas as mulheres: não se calem. E a todos nós: que possamos proteger, apoiar e agir. Porque feminicídio não é problema das mulheres. É responsabilidade de toda a sociedade”, destacou o texto divulgado na rede social.
A morte de Bruna, que estava grávida do bebê que carregava, provocou uma forte comoção e trouxe à tona discussões sobre violência de gênero na comunidade. O caso também gerou gatilhos emocionais entre mulheres que se identificaram com a situação, como exemplificado por uma usuária do Instagram, Lanny Duarte, que manifestou seu medo de sofrer violência e sua preocupação com a própria proteção.
O velório de Bruna foi realizado no Cemitério da Saudade, na região Leste de Belo Horizonte, na tarde de 17 de abril. Familiares e amigos participaram das despedidas, expressando pesar e solidariedade. Uma amiga próxima, Karol Santos, que também seria madrinha do bebê, descreveu Bruna como uma jovem cheia de sonhos, feliz com a expectativa de maternidade, e lamentou profundamente a forma como sua vida foi interrompida. A cerimônia foi marcada por emoções intensas, refletindo a dor da perda e a injustiça do crime.









