Vinicio Oliveira da Silva, conhecido como “Neguinho da Mabel”, foi solto no fim da tarde desta quarta-feira (28), depois que a Justiça determinou a expedição de um alvará de soltura. Ele estava preso desde a operação realizada na casa da influenciadora digital Kamila Simioni, no bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.
A decisão havia sido tomada na terça-feira (27) pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri. A magistrada impronunciou Vinicio das acusações de homicídios consumados e tentados. Com isso, o processo não seguirá para julgamento pelo Tribunal do Júri, diante da ausência de elementos considerados suficientes para sustentar a autoria dos crimes atribuídos a ele.
O entendimento acompanhou a manifestação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Durante a análise do caso, o órgão afirmou que não havia indícios mínimos de autoria capazes de manter as acusações contra Vinicio. O Ministério Público também defendeu que a liberdade fosse concedida sem a aplicação de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica ou a proibição de deixar Belo Horizonte.
Decisão foi tomada após audiência por videoconferência
A decisão judicial foi proferida durante uma audiência realizada por videoconferência. Ao longo da sessão, seis testemunhas foram ouvidas, sendo pelo menos duas delas de forma remota. Três vítimas também prestaram depoimento, mas em caráter reservado.
Segundo a manifestação apresentada no processo, não foram reunidos elementos suficientes para atribuir a Vinicio a autoria dos homicídios consumados e tentados investigados. O acusado negou qualquer envolvimento nos fatos analisados pela Justiça.
Vinicio havia sido detido na residência de Kamila Simioni, onde imagens captadas por drones durante a operação registraram o homem caminhando e falando ao telefone dentro do imóvel. Na ocasião, a Polícia Civil informou que existia um mandado de prisão em aberto contra ele por homicídio.
A corporação também apontou Vinicio como uma liderança do tráfico de drogas na região do Jardim Felicidade, em Belo Horizonte. A defesa contesta essa versão e afirma que ele não mantinha envolvimento com o tráfico de drogas havia muito tempo.
Defesa contesta acusações feitas pela polícia
O advogado Ércio Quaresma, que representa Vinicio e Kamila Simioni, afirmou que a decisão judicial reforça a falta de provas contra o cliente. Segundo ele, a defesa questionou os elementos apresentados pela Polícia Civil e demonstrou, durante a audiência, que não havia base suficiente para sustentar as acusações.
“Na audiência, destruímos a acusação da Polícia. O próprio MPMG pediu a liberdade de Vinicio. Falar que ele é o líder do tráfico de drogas do Jardim Felicidade é uma irresponsabilidade”, declarou o advogado.
A defesa também sustenta que Vinicio não estava foragido quando os policiais entraram na residência da influenciadora. Além disso, nega que ele tivesse envolvimento recente com o tráfico de drogas.
Durante o período em que Vinicio permaneceu preso, Kamila Simioni formalizou uma união estável com o investigado. De acordo com Ércio Quaresma, o procedimento foi realizado para que ela pudesse obter autorização para visitá-lo na unidade prisional Dutra Ladeira.
Como Vinicio ficou detido por cerca de dois dias, a defesa não confirmou se Kamila chegou a realizar alguma visita íntima durante o período de prisão.







