Minas Gerais está em alerta devido ao fenômeno climático conhecido como Super El Niño, que deve atingir seu pico até dezembro e pode provocar temperaturas inéditas nos últimos 30 anos no estado. A previsão indica que as ondas de calor serão particularmente intensas nas regiões do Triângulo Mineiro, Noroeste, Norte e na área Central, além de uma possível estiagem severa nessas localidades. Essas condições adversas representam um agravamento dos riscos ambientais e sociais, levando o governo estadual a criar o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño, com o objetivo de coordenar ações de prevenção, monitoramento e resposta às consequências do fenômeno.
A assinatura do decreto que institui o comitê ocorreu em setembro, e a sua implementação foi anunciada nesta terça-feira, 20 de outubro, pela Defesa Civil de Minas Gerais. A iniciativa busca integrar os órgãos estaduais na gestão dos impactos do El Niño, que pode alterar o calendário de chuvas e elevar as temperaturas em todo o território mineiro. Segundo a Defesa Civil, de outubro a dezembro, as temperaturas podem ultrapassar os registros dos últimos 30 anos, especialmente na região do Triângulo Mineiro, Noroeste, Norte e Central, além de aumentar a probabilidade de estiagem severa nessas áreas.
No que diz respeito às precipitações, há previsão de tempestades pontuais e intensas na Região Metropolitana de Belo Horizonte e na Zona da Mata, o que pode ocasionar desastres como deslizamentos de terra e alagamentos. O meteorologista Romero Wanzeler, do Centro de Inteligência em Defesa Civil de Minas Gerais (Cindec-MG), explicou que as projeções indicam um aumento na ocorrência de chuvas fortes concentradas em períodos curtos, o que potencializa os riscos de desastres geológicos. Segundo ele, essas chuvas mais intensas deverão ocorrer principalmente na parte sul e sudoeste do estado, além de áreas próximas à Zona da Mata e à região metropolitana, com maior frequência e volume concentrados em curto intervalo de tempo.
Para mitigar os efeitos do Super El Niño, a Defesa Civil tem realizado ações de suporte técnico aos municípios, incluindo capacitações para mais de 830 agentes públicos em mais de 230 cidades mineiras. Segundo o coronel Paulo Rezende, coordenador estadual da corporação, a preparação envolve a revisão e atualização dos planos de contingência para seca e temporais, além da estruturação de brigadas locais para prevenção de incêndios e a manutenção de equipes de prontidão integradas às secretarias de obras, assistência social e serviços de emergência. Também são priorizadas ações de drenagem e limpeza urbana para evitar alagamentos antes do pico das chuvas.
Rezende destacou que áreas de maior vulnerabilidade social tendem a sofrer mais com os desastres relacionados às mudanças climáticas, devido à ocupação desordenada do solo. Essa realidade exige uma abordagem humanizada por parte da Defesa Civil, que deve envolver outros órgãos como psicólogos e assistentes sociais em ações de acolhimento e assistência, além das intervenções técnicas tradicionais.
Quanto à questão da seca e das altas temperaturas, o governo de Minas Gerais anunciou que, na próxima semana, será firmado um contrato para a distribuição de água por meio de caminhões-pipa aos municípios mais afetados. Essa medida visa atender às regiões mais vulneráveis às condições extremas provocadas pelo fenômeno, complementando as ações de mobilização, treinamento e compartilhamento de informações já em andamento. O objetivo é garantir uma resposta rápida e eficiente às dificuldades decorrentes do Super El Niño, que representa um desafio significativo para a gestão de recursos hídricos e a segurança da população mineira.







