Nesta segunda-feira, 17 de outubro, comemora-se o Dia Nacional do Pão de Queijo, uma data que evidencia a importância desse produto na cultura e na economia brasileira. Considerado símbolo da culinária mineira, o pão de queijo não apenas representa uma tradição regional, mas também sustenta uma cadeia produtiva extensa que envolve desde a produção de matérias-primas até a fabricação industrial e o comércio varejista.
De acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o Brasil produz aproximadamente 892,5 mil toneladas de pão de queijo por ano, consolidando-se como um mercado de grande porte. Minas Gerais detém cerca de dois terços dessa produção, o que demonstra o protagonismo do estado na fabricação do produto. Essa liderança é reforçada pela forte presença do Estado na cadeia de fornecimento de ingredientes essenciais, como leite, queijo, polvilho e mandioca.
Dados do ano de 2025 indicam que Minas Gerais produziu cerca de 9,78 bilhões de litros de leite, sendo que quase metade desse volume — aproximadamente 48,5% — destinou-se à fabricação de queijos, segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados no Estado de Minas Gerais (Silemg). Minas conta com uma estrutura composta por 775 estabelecimentos de laticínios e cerca de 134 mil produtores de leite, além de responder por 23,9% de todo o leite cru adquirido por estabelecimentos sob inspeção no país, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa infraestrutura robusta garante a oferta contínua de insumos de qualidade, fortalecendo a produção do pão de queijo e contribuindo para a sua identidade cultural e econômica. O presidente do Silemg, Guilherme Abrantes, destaca que a ampla rede industrial de laticínios assegura a regularidade e a qualidade dos ingredientes, reforçando a ligação do produto à tradição, gastronomia e patrimônio de Minas Gerais.
A importância econômica do pão de queijo vai além do leite. Outros ingredientes, como o queijo, o polvilho e a mandioca, conectam-se a diversas atividades agropecuárias e industriais, ampliando o impacto da cadeia produtiva na economia estadual. Segundo Vinícius Dantas, presidente da Câmara da Indústria de Alimentos e Bebidas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a produção do pão de queijo estimula a demanda por queijo, impulsionando toda a cadeia de laticínios. Ele ressalta que o consumo do produto é uma força motriz para a cultura mineira, que valoriza o queijo e o polvilho.
O setor de alimentos e bebidas em Minas Gerais movimentou R$ 164,5 bilhões em 2025, representando 11,9% da produção nacional do segmento. O estado abriga quase 7 mil empresas do setor e gera aproximadamente 247 mil empregos diretos, demonstrando a relevância econômica do setor alimentício. Para atender à crescente demanda, a tecnologia tem sido cada vez mais incorporada na produção, com equipamentos que aceleram processos e melhorias na secagem do polvilho, reduzindo a dependência das condições climáticas. Pesquisas e inovações na cultura da mandioca também têm ampliado sua produção para diferentes regiões do estado.
Por outro lado, custos relacionados à energia, logística e mão de obra permanecem como desafios enfrentados pelo setor. Como o leite é uma matéria-prima fundamental, qualquer pressão sobre sua produção pode afetar toda a cadeia produtiva, refletindo-se nos preços finais ao consumidor.
No âmbito do comércio local, o pão de queijo demonstra sua força de mercado nas padarias e confeitarias de Minas Gerais. Segundo Rita de Cássia de Miranda Gonçalves, presidente da Associação Mineira da Indústria de Panificação (Amipão), a iguaria figura entre os produtos mais vendidos, frequentemente ficando atrás apenas do pão francês em popularidade. Além da versão tradicional, o produto tem sido diversificado com recheios, diferentes formatos, tamanhos e até variações como waffles, ampliando as formas de consumo. A oferta de pão de queijo congelado também tem facilitado a rotina das padarias, que podem oferecer o produto diretamente do congelador ao forno, atendendo às demandas de agilidade e praticidade do mercado atual.





