O Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para realizar os primeiros testes em humanos da Vivaxin, uma vacina contra a malária criada com tecnologia 100% nacional. O anúncio foi feito neste sábado (10 de outubro) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento realizado em Belo Horizonte.
A autorização da Anvisa permite que o estudo clínico avalie aspectos essenciais do imunizante, incluindo sua segurança, possíveis reações adversas e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica eficaz. A pesquisa envolverá um grupo de 48 voluntários, com idades entre 18 e 59 anos, que participam do programa de testes clínicos. Segundo o ministro Padilha, esse avanço representa um marco importante tanto para a ciência brasileira quanto para a saúde pública global, uma vez que a malária continua sendo uma doença de grande impacto mundial.
Durante a entrevista concedida ao lado do centro de pesquisa, Padilha destacou a relevância do desenvolvimento nacional na área de vacinas. Ele ressaltou que o Brasil tem conseguido reduzir significativamente os casos de malária no território nacional. Dados do próprio Ministério da Saúde indicam que, em 2026, o país terá registrado menos de 120 mil casos da doença, marcando uma redução expressiva em relação ao ano de 1998, quando a estimativa de casos chegava a um milhão. Essa diminuição, segundo o ministro, reflete esforços coordenados de controle e prevenção, embora a malária continue sendo uma preocupação não apenas no Brasil, mas em várias regiões do mundo.
Padilha também abordou o impacto das mudanças climáticas na disseminação da doença, destacando que o aumento da temperatura média pode facilitar a expansão da malária para áreas anteriormente não afetadas. Essa preocupação reforça a importância de desenvolver vacinas eficazes e de alta qualidade, capazes de proteger populações vulneráveis.
A decisão da Anvisa também reforça o papel do CTVacinas como uma referência no setor de tecnologia de vacinas no Brasil. O centro integra o Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), uma iniciativa do governo federal voltada a ampliar a capacidade do país na pesquisa e desenvolvimento de imunizantes. O Ministério da Saúde anunciou um investimento de R$ 161,5 milhões para o avanço de projetos de vacinas, incluindo recursos destinados ao CNVacinas e a parcerias por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL). Desse montante, R$ 135,5 milhões estão especificamente reservados para projetos do centro nacional, sinalizando o compromisso do governo com a inovação na área de imunizações e a autonomia tecnológica do Brasil nesse setor estratégico.








