Após um período de um ano e sete meses desde o ataque que quase lhe custou a vida, Gabriela de Matos Moreira, de 21 anos, permanece na expectativa pelo julgamento do acusado de tentativa de feminicídio. O homem, identificado como Carlos Junior Pereira, de 34 anos, conhecido como Juninho, será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (17), na cidade de Sete Lagoas, localizada na Região Central de Minas Gerais. O processo está marcado para iniciar às 9h no fórum local.
O crime ocorreu na madrugada de 13 de fevereiro de 2025, no bairro Barreiro, em Sete Lagoas. Na ocasião, Gabriela, então com 20 anos, foi brutalmente atacada enquanto dormia na residência. Segundo informações de familiares, os dois filhos do casal, de 3 e 5 anos, estavam presentes na casa e testemunharam a violência. Apenas o mais novo é filho de Carlos, o que reforça a complexidade emocional do caso.
De acordo com a Polícia Militar, a motivação do ataque inicialmente suspeitada era uma suposta traição, embora os detalhes exatos não tenham sido completamente esclarecidos. Gabriela foi atingida por mais de 50 golpes de faca, tendo sido encontrada caída na cozinha de sua própria casa, em estado gravíssimo, com perda significativa de sangue. Após o ataque, ela foi socorrida por equipes de emergência e encaminhada ao Hospital Municipal de Sete Lagoas, onde permaneceu internada, necessitando de intubação devido à gravidade do quadro.
Relatos indicam que o crime teria ocorrido por volta das 3h30 da manhã. Após cometer o ataque, Carlos dirigiu-se até a casa de sua própria mãe, acompanhado das duas crianças, e confessou o crime às pessoas próximas. A família do suspeito acionou a Polícia Militar, que se deslocou até o local onde Gabriela foi encontrada. No momento da chegada dos policiais, a jovem ainda apresentava sinais vitais, embora estivesse em estado crítico. A arma do crime, uma faca, foi localizada sob a pia da cozinha.
A irmã da vítima, Jadeana Moreira, relatou que, na época, os policiais chegaram a pensar que Gabriela estivesse morta, mas perceberam que ela ainda respirava e iniciaram os procedimentos de socorro. As duas crianças ficaram sob os cuidados da avó materna, e familiares relataram que o trauma abalou profundamente os pequenos.
Após o ataque, Carlos fugiu do local e passou a ser procurado pela polícia. Durante as buscas, informações indicaram que ele poderia estar escondido em uma fazenda em Caetanópolis, município vizinho de Sete Lagoas. Equipes de investigação realizaram diligências na propriedade, mas sem sucesso na captura do suspeito. Um homem de 31 anos foi interrogado na ocasião, negando participação no crime, porém fornecendo informações que ajudaram os policiais a identificar um possível esconderijo do acusado.
Carlos Junior Pereira foi preso pela Polícia Civil em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, 14 dias após o ataque. Desde então, o caso tem sido acompanhado de perto pela sociedade, especialmente pela família da vítima, que cobrava justiça pela gravidade do ocorrido.
O julgamento, que ocorrerá nesta quinta-feira, será realizado pelo Tribunal do Júri, onde os jurados irão analisar as provas apresentadas pela acusação e pela defesa. Carlos será julgado pela acusação de tentativa de feminicídio, e sua responsabilidade será avaliada pelos membros do conselho de sentença. Até o encerramento do processo, ele continuará sendo tratado como acusado, sem que haja qualquer presunção de culpa antecipada.
Este caso reforça a preocupação com a violência contra a mulher em Minas Gerais e evidencia a necessidade de ações efetivas para combater a violência doméstica, além de destacar a importância do sistema de justiça na responsabilização de agressores.








