Uma mulher de Belo Horizonte, identificada como Ângela Aparecida, permanece em tratamento e enfrentando dificuldades físicas e financeiras um ano após sofrer queimaduras de segundo grau em um incidente ocorrido em um restaurante localizado no bairro Buritis, na região Oeste da capital mineira. O acidente aconteceu em setembro de 2024, quando um funcionário do estabelecimento tentou acender um fogareiro com álcool, provocando uma explosão que atingiu as costas e o cabelo de Ângela, que estava na fila do buffet no momento. O episódio foi registrado por câmeras de segurança do próprio restaurante, que mostram a rápida reação de funcionários e clientes, além do atendimento imediato prestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Após o incidente, Ângela precisou de cerca de 70 dias de internação hospitalar, durante os quais passou por cinco cirurgias para tratar as queimaduras. Mesmo após receber alta, ela continua enfrentando as consequências do acidente, que lhe causaram dores intensas, dificuldades para caminhar e sentar, além de cicatrizes que afetaram sua autoestima. A mulher relata que, atualmente, necessita de acompanhamento médico constante, fisioterapia e uso de medicamentos, além de conviver com limitações físicas que dificultam suas atividades diárias.
A vítima também revelou que, devido às sequelas, perdeu a renda que possuía antes do acidente, passando a depender financeiramente de familiares. Seu filho, que trabalha em dois empregos e tem dois filhos, precisou reorganizar sua rotina para ajudar a mãe com despesas relacionadas ao tratamento, incluindo transporte para consultas, sessões de fisioterapia, acompanhamento psicológico e medicamentos. Segundo ele, o episódio abalou emocional e financeiramente toda a estrutura familiar, agravando ainda mais a situação de Ângela.
Apesar de o restaurante ter declarado, por meio de nota oficial, que prestaria assistência à vítima e à sua família, essa ajuda foi interrompida há aproximadamente seis meses. Diante do agravamento da situação financeira e da necessidade de continuar o terapia, a família decidiu ingressar na Justiça para buscar recursos que garantam o custeio do tratamento e a reparação pelos danos sofridos. A defesa de Ângela afirma que a situação demandava ações urgentes, uma vez que ela era a principal provedora da família e ficou impossibilitada de trabalhar após o acidente.
Além das questões físicas e financeiras, Ângela enfrenta o impacto emocional causado pelas cicatrizes, que afetaram sua autoestima e sua aparência. Ela descreveu que, no passado, era uma pessoa cuidadosa com sua aparência, com cabelo grande e sem cicatrizes visíveis, e que hoje sente vergonha de sair de casa devido às marcas deixadas pelo acidente.
Os advogados do restaurante informaram à reportagem que não irão comentar o caso nesta fase processual, reservando seus esclarecimentos para os autos do processo judicial. Por sua vez, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) confirmou a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente, prometendo divulgar novas informações após a conclusão das investigações.
A situação de Ângela evidencia a necessidade de reforço nas medidas de segurança em estabelecimentos comerciais e a importância de assistência adequada às vítimas de acidentes, especialmente quando há negligência ou falhas que possam comprometer a integridade física dos clientes. A expectativa é que a Justiça e as autoridades de segurança pública possam garantir que os direitos da vítima sejam respeitados e que ela receba o suporte necessário para sua recuperação física e emocional.








