Um homem de 49 anos, residente no Maranhão, foi vítima de um golpe após viajar até Minas Gerais na tentativa de encontrar uma mulher que conheceu por meio das redes sociais. A suposta mineira, que convidava seguidores a se mudarem para sua fazenda, revelou-se uma personagem criada por inteligência artificial, levando o pedreiro a gastar toda a sua economia na viagem e a procurar a mulher na capital mineira, Belo Horizonte, sem sucesso.
O pedreiro relatou que conheceu a mulher através de um perfil nas redes sociais que exibia vídeos produzidos por inteligência artificial. Esses vídeos mostravam uma mulher mineira em uma fazenda, com cenários que simulavam uma área rural, incluindo gado e celeiros. Nas mensagens, ela dizia morar em Minas Gerais, afirmava estar em busca de alguém para construir um relacionamento e convidava a pessoa a se deslocar até ela, sem informar uma cidade específica. Em um dos vídeos, ela promete sustento para quem aceitasse ir morar com ela no interior do estado.
O perfil em questão possui mais de 300 mil seguidores e interage de forma convincente com os usuários, o que contribuiu para que o homem acreditasse na veracidade da história. Segundo o próprio pedreiro, ele, que estava há algum tempo sozinho e buscava uma relação afetiva, foi atraído pelos vídeos e decidiu fazer a viagem, mesmo sem um endereço exato da suposta mulher. Motivado pela curiosidade de conhecer quem enviava as mensagens, ele se deslocou aproximadamente 2 mil quilômetros até Belo Horizonte, acreditando que ela poderia estar na cidade.
Ao chegar na capital mineira, o homem buscou por ela em diferentes locais, na esperança de encontrá-la. No entanto, outras pessoas que o ajudaram na busca alertaram-no de que havia sido enganado. Foi nesse momento que ele percebeu que as imagens e mensagens eram falsas. Com pouco dinheiro no bolso e desiludido, procurou a Prefeitura de Belo Horizonte, onde recebeu acolhimento e orientações sobre golpes nas redes sociais. A administração municipal também auxiliou na sua volta ao Maranhão.
Durante as buscas, o pedreiro revelou que a mulher, nos vídeos, chega a pedir que as vítimas enviem dinheiro por meio de chaves PIX, alegando que enviaria uma quantia para facilitar o encontro. No entanto, ele afirma que não enviou nenhum valor, tendo como único prejuízo a viagem. Ainda não há informações sobre se outros usuários também acreditaram na personagem ou se há alguém por trás da administração do perfil falso.
Especialistas em inteligência artificial destacam que perfis desse tipo são criados com o objetivo de atingir públicos vulneráveis, especialmente idosos, por apresentarem uma comunicação bastante convincente e personalizada. Marcos Flávio, professor e especialista na área, explica que esses perfis muitas vezes utilizam vídeos com sinais de artificialidade, como vozes e iluminação, mas que a tecnologia tem evoluído rapidamente, dificultando a identificação de fraudes apenas por esses critérios.
Segundo Flávio, além dos idosos, pessoas mais carentes e com pouco conhecimento tecnológico também podem ser facilmente enganadas. A resposta rápida e muitas vezes personalizada de perfis automatizados reforça a sensação de que se está conversando com uma pessoa real, o que aumenta a credibilidade das falsas identidades. Ele também explica que esses perfis podem ser utilizados para diversas formas de monetização, incluindo a venda de seguidores, revenda de perfis ou divulgação de produtos, muitas vezes com o uso de deep fakes — vídeos com rostos de pessoas famosas ou desconhecidas.
Para evitar cair em golpes semelhantes, especialistas recomendam atenção a sinais de artificialidade nos vídeos, como iluminação e vozes pouco naturais, além de desconfiar de respostas extremamente rápidas ou pedidos de dinheiro. Pesquisar a veracidade do perfil antes de qualquer decisão é uma medida essencial para proteger-se de fraudes que, cada vez mais, utilizam avanços tecnológicos para enganar vítimas.






